Tarifas de Trump ao Brasil são brandas e podem favorecer vendas, dizem analistas

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Tarifas de Trump ao Brasil são vistas com alívio e podem favorecer vendas

Nova alíquota de 10% imposta pelos EUA é considerada branda em comparação a
outros países, e pode abrir oportunidades para o comércio exterior brasileiro

Bancos e consultorias reagiram com alívio à tarifa de 10% anunciada pelos
Estados Unidos sobre produtos brasileiros, considerando que o Brasil escapou de
medidas mais severas aplicadas a outros países. Embora o governo e o setor
produtivo tenham expressado preocupação, analistas veem espaço para ganhos no
comércio internacional.

Assim, é possível que o Brasil até ganhe competitividade e consiga movimentar
algumas peças a seu favor no novo xadrez do comércio internacional, que ganhou
mais um capítulo com o “tarifaço” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, no que foi batizado de ‘Liberation Day’, o Dia da Libertação.

Essa percepção positiva dos analistas não foi abraçada, porém, nem pelo governo
nem por parte do setor produtivo. Os posicionamentos divulgados após o anúncio
em Washington expressaram preocupação e lamentação. Em nota conjunta do
Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o
Brasil julgou que Trump violou os compromissos assumidos pelos Estados Unidos
perante a Organização Mundial do Comércio (OMC), a quem o governo brasileiro não
descarta recorrer.

Além de defender que o Brasil insista no diálogo com o governo americano, a
Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que uma missão de empresários
do setor visitará os Estados Unidos na primeira quinzena de maio, com o objetivo
de estreitar laços e buscar soluções de interesse comum. “Claro que nos
preocupamos com qualquer medida que dificulte a entrada dos nossos produtos em
um mercado tão importante quanto os EUA, o principal para as exportações da
indústria brasileira”, afirma o presidente da entidade, Ricardo Alban.

Ao ser taxado em 10%, o Brasil integrou o grupo dos países menos afetados pelo
tarifaço de DE republicano. Estão ao seu lado economias como a do Reino
Unido, Chile, Austrália, Colômbia, Turquia, Argentina, Peru, dentre outros. As
novas alíquotas entram em vigor no sábado, dia 5 de abril.

Para o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, funcionou a aproximação
do vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, ao secretário de
Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick. “Saiu menos ruim para o Brasil do
que se esperava. E acho que aí teve o mérito do governo, principalmente do
Alckmin, que teve duas reuniões com o Howard Lutnick. Eles, os americanos,
falavam muito sobre taxar o etanol. Então, acho que para o Brasil acabou saindo
menos ruim do que podia ser”, diz Barral.

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