O técnico de radiologia indiciado por crime contra a dignidade sexual em Minas Gerais nesta quarta-feira (27) trouxe apreensão à população da cidade de Itabira, na Região Central do estado. A Polícia Civil confirmou que ao menos cinco pacientes foram filmadas sem autorização durante exames realizados em uma clínica particular da cidade, conforme apontam as investigações mais recentes divulgadas pelo órgão.
Segundo informações da própria corporação, o profissional de 46 anos deverá responder pelo artigo 216-B do Código Penal, que trata do registro não consentido de imagens com cena de nudez ou ato íntimo. O caso representa mais um desafio para a segurança de pacientes e para a fiscalização dos direitos das mulheres em todo o estado, acendendo discussões sobre as práticas de monitoramento profissional em contextos hospitalares de Governo de Minas.
De acordo com a Polícia Civil de Belo Horizonte, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público Estadual, que analisará as provas para dar prosseguimento às ações criminais. O episódio também repercute entre sindicatos da saúde e grupos de direitos humanos, que reiteram a necessidade de medidas mais rígidas no combate a crimes desse tipo no ambiente médico.
Como a investigação teve início
A apuração do caso começou oficialmente em 27 de novembro de 2025, logo após uma denúncia formalizada na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Itabira. Uma profissional do setor de recursos humanos, que buscava realizar um exame admissional, percebeu algo incomum durante o atendimento. Em seu relato, destacou à equipe policial ter notado um celular estrategicamente posicionado no bolso do jaleco do técnico, voltado justamente para captar imagens de sua intimidade.
O registro da denúncia desencadeou uma série de diligências. Os investigadores, em contato com outras possíveis vítimas, confirmaram que pelo menos cinco mulheres já haviam sido submetidas à mesma conduta, demonstrando que o padrão criminoso poderia estar ocorrendo há mais tempo do que o inicialmente estimado. O acesso aos prontuários e registros da clínica, segundo as autoridades, foi fundamental para mapear o universo de atingidas.
Após o flagrante, familiares e membros da sociedade local compareceram à delegacia para expressar preocupação com o risco de exposição enfrentado por pacientes durante exames médicos em Itabira. Integrantes de conselhos municipais e estaduais de saúde de Minas Gerais passaram a exigir do Governo de Minas maior rigor na fiscalização de clínicas particulares no interior do estado.
Celular apreendido e provas encontradas
No desenrolar da apuração, a Polícia Civil apreendeu o celular do suspeito e enviou o aparelho para perícia digital. O laudo técnico confirmou a existência de diversos arquivos de vídeo gravados sem autorização, além de registros de como o próprio técnico preparava o mecanismo para ocultar o equipamento antes do início dos exames.
De acordo com relato do delegado João Martins Teixeira Barbosa, ouvido pelo DE, as imagens mostram o investigado ajustando o celular em posição estratégica sempre antes da entrada das pacientes na sala de exames. O delegado pontuou ainda que a confissão do técnico, somada ao conteúdo das imagens recuperadas, fortaleceu o indiciamento pelo crime previsto no Código Penal – e pode servir de precedente para endurecimento do combate à violação de direitos no atendimento médico.
Em depoimento formal, o acusado admitiu que registrava imagens durante os procedimentos, porém afirmou agir por supostas “razões de segurança pessoal”. Tal justificativa foi descartada pelas autoridades, que ressaltaram não existir nenhuma determinação legal ou técnica que autorize gravações fora dos padrões e sem consentimento dos pacientes em procedimentos médicos – questão que já é tema de debate em Belo Horizonte e demais cidades do estado.
Consequências para a confiança profissional
Segundo o delegado responsável, a gravidade do crime ultrapassa a questão penal e abala profundamente o vínculo de confiança estabelecido entre profissionais de saúde e pacientes. Barbosa frisou que “a conduta apurada revela um profundo desrespeito à autodeterminação da imagem e à inviolabilidade da intimidade feminina”, salientando que é preciso reforçar o cuidado com o acolhimento e a proteção das mulheres em contextos clínicos, sobretudo em Minas Gerais.
A Polícia Civil não divulgou o nome do investigado, tampouco informou se ele segue exercendo suas funções na clínica investigada. O procedimento padrão nestes casos é o afastamento cautelar do profissional até a conclusão da esfera criminal e eventual análise administrativa pelos conselhos regionais.
Grupos de apoio psicológico e jurídico foram mobilizados para as vítimas e familiares, que buscam amparo diante da exposição sofrida. O episódio levou o poder público local a repensar campanhas de conscientização sobre abuso e assédio em ambientes profissionais na rede de saúde, contando com a parceria de entidades estaduais e do Governo de Minas.
O que esperar para os próximos dias? Procedimentos internos de sindicância e apurações paralelas podem surgir em clínicas e hospitais de toda a região, como resposta preventiva ao caso de Itabira. Além disso, a evolução do inquérito no Ministério Público será acompanhada com rigor por órgãos de defesa das mulheres e da comunidade de Belo Horizonte.
Até o momento, o clima na cidade é de preocupação, e o caso segue repercutindo nas redes sociais, principalmente entre profissionais da saúde e pacientes que já relataram episódios semelhantes em outras localidades. Organizações não-governamentais envolvidas no tema preparam campanhas educativas para ampliar o debate sobre a proteção de dados e direitos civis das mulheres em Minas Gerais.
A expectativa é que, nos próximos meses, a investigação impulsione a criação de protocolos mais detalhados para garantir a privacidade dos pacientes em consultórios e clínicas radiológicas, inclusive com fiscalização mais ativa do Governo de Minas em todo o estado.
Especialistas alertam, ainda, que a denúncia feita neste episódio pode encorajar outras mulheres a relatarem práticas semelhantes, criando um efeito multiplicador para o controle social e a transparência nas relações entre profissionais de saúde e pacientes em Minas Gerais e municípios vizinhos.
O Ministério Público, agora com as imagens e os depoimentos em mãos, avaliará a possibilidade de abertura de novas frentes de apuração, podendo inclusive instaurar procedimentos contra a clínica responsável. A sociedade civil e conselhos profissionais aguardam a resposta dos órgãos de fiscalização e a implementação de medidas para assegurar ambientes mais seguros e respeitosos para todos os cidadãos.



