CUIABÁ (MT) — Um teiú, considerado o maior lagarto do Brasil, foi encontrado escondido embaixo de um armário de cozinha em uma residência no Bairro Industrial, em Guarantã do Norte, a 709 km de Cuiabá. O resgate foi realizado pelo Corpo de Bombeiros na tarde de sexta-feira (17), e o animal foi solto em uma área de mata adequada ao seu habitat natural. Segundo os bombeiros, os militares precisaram se deitar no chão da casa para localizar o réptil e efetuar a captura com segurança, sem ferir o animal ou colocar os moradores em risco.
A ocorrência foi registrada por volta das 14h05 na Rua dos Sapotis. Após a captura, o teiú foi levado a uma região de vegetação nativa compatível com sua sobrevivência. O caso ocorre pouco mais de um mês após um trabalhador perder parte de um dedo ao ser atacado por um lagarto da mesma espécie em Rondonópolis, no sul de Mato Grosso. Na ocasião, o homem tentou oferecer água ao animal, que reagiu com uma mordida violenta.
Teiú é um dos maiores lagartos do continente
O teiú (Salvator merianae) pode atingir cerca de 50 centímetros de comprimento, mas alguns exemplares chegam a medir até 2 metros incluindo a cauda. A coloração mescla tons de preto, amarelo e branco, com manchas claras nas laterais do corpo. De hábitos onívoros, alimenta-se de carniça, insetos, aves, roedores, anfíbios, outros lagartos, ovos, frutas e folhas. Por consumir diversos tipos de frutos, a espécie desempenha papel importante na dispersão de sementes e na manutenção dos ecossistemas.
Especialistas alertam que o teiú possui comportamento defensivo bastante acentuado. Em entrevista à imprensa, o biólogo Luiz Eduardo Saragiotto Silva explicou que o animal tenta fugir ao perceber aproximação humana, mas, quando se sente encurralado ou perseguido, pode reagir com ataques. “Ele nunca vai entender que está sendo ajudado. Muitas pessoas acabam correndo atrás do teiú ou tentando tocá-lo. Em um primeiro momento ele tenta escapar, mas, se for pressionado, pode correr atrás e morder. É um comportamento relativamente comum. E a mordida é muito forte”, afirmou o biólogo.
Tentativa de ajudar pode provocar ataques
Em junho deste ano, imagens registraram o momento em que um trabalhador se aproximou de um teiú com uma garrafa de água em Rondonópolis e foi mordido na mão. O ataque causou ferimentos graves e a vítima perdeu parte de um dos dedos, sendo encaminhada a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município. O caso reforça que animais silvestres enxergam a aproximação humana como ameaça e podem atacar mesmo diante de tentativas de socorro ou alimentação.
A orientação dos órgãos ambientais é clara: ao encontrar um animal silvestre, a população deve acionar a Polícia Militar ou o Corpo de Bombeiros. Não se deve tentar capturar o réptil ou oferecer água ou comida. Além de ser proibido alimentar a fauna silvestre no Brasil, conforme a Lei Ambiental Federal nº 9.605/1998, os animais normalmente conseguem obter água e nutrientes a partir da própria alimentação. O biólogo Marcos Ardevino destacou que “muitas pessoas se sensibilizam e querem ajudar, mas esses animais não precisam desse tipo de intervenção. A exceção seria uma situação extrema, como um incêndio florestal. Fora isso, não há motivo para oferecer água ou comida”.
Nos casos em que o animal aparentar estar ferido ou debilitado, a orientação é acionar órgãos ambientais competentes para que profissionais capacitados façam o resgate e o atendimento adequado, garantindo a segurança de todos e a preservação da fauna nativa.





