Imagens obtidas pela Rede Vanguarda mostram o momento em que o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto é preso pela polícia em São José dos Campos, na manhã desta quarta-feira (18) – veja acima.
O oficial foi indiciado por feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, que foi encontrada morta com um tiro na cabeça, no mês passado – leia mais abaixo.
O tenente-coronel foi preso no início da manhã, por volta das 8h12, no apartamento dele que fica na rua Roma, no Jardim Augusta, na região central de São José dos Campos, no interior de SP.
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As imagens mostram que, cerca de 40 minutos depois, às 8h50, o tenente-coronel foi levado por um comboio de agentes da Polícia Civil e agentes da corregedoria da PM. Na saída, em meio ao tumulto que se formou, houve uma colisão entre duas viaturas, mas sem feridos.
Imagem mostra momento da prisão do tenente-coronel indiciado pela morte da esposa soldado da PM — Foto: Peterson Grecco/TV Vanguarda
Ao DE, a Polícia Civil informou que o suspeito será levado para o 8º DP, na capital, onde deverá ser interrogado e formalmente indiciado.
Após esses procedimentos, o tenente-coronel deve passar por exames de corpo de delito e então será levado para o Presídio Militar Romão Gomes, na capital. A expectativa da polícia é que o Inquérito Policial Militar (IPm) seja concluído nos próximos dias.
PEDIDO DE PRISÃO E NOVOS LAUDOS
Nesta terça-feira (17), foi solicitada à Justiça a decretação da prisão do policial, com aval do Ministério Público de São Paulo. A Corregedoria da PM também pediu a prisão. O pedido foi acolhido pela Justiça Militar.
A decisão das autoridades aconteceu após a Polícia Técnico-Científica anexar ao processo laudos relacionados ao caso. Indícios que constam em dois laudos foram determinantes para o delegado pedir a prisão:
Trajetória da bala que atingiu a cabeça
Profundidade dos ferimentos encontrados
Polícia chega ao apartamento de tenente-coronel para cumprir mandado de prisão por morte de PM Gisele — Foto: Andressa Lorenzetti/TV Vanguarda
Com isso, o delegado concluiu que ela não se suicidou. Os documentos confirmaram que Gisele não estava grávida e também não foi dopada, mas que havia mais manchas de sangue da soldado espalhadas por outros cômodos do apartamento onde ela morreu – saiba mais clicando aqui.
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Apesar da conclusão do laudo toxicológico, que não indicou o consumo de drogas ou bebidas por Gisele, e da liberação de outros exames — que somam cerca de 70 páginas —, a delegacia aguarda ainda mais resultados complementares do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC) para concluir o inquérito. Eles devem esclarecer a dinâmica do disparo ocorrido há um mês.
VÍDEO mostra momento da prisão do tenente-coronel indiciado pela morte da esposa soldado da PM — Foto: Celine Cunha
PROBLEMAS NO RELACIONAMENTO
Mensagens enviadas pela policial a uma amiga, divulgadas pela defesa da família, indicam que Gisele enfrentava problemas no relacionamento.
Em um dos trechos, Gisele afirma: “Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata”.
Em depoimento, a mãe da vítima afirmou que a filha vivia um relacionamento abusivo e que o oficial era controlador e violento.
A soldado da PM Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto — Foto: Montagem/g1
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Laudos da perícia apontaram lesões no rosto e no pescoço da policial, além de indicarem que o disparo foi feito à queima-roupa.
Também não foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos dela, o que levanta dúvidas sobre a hipótese de suicídio, inicialmente como o caso foi investigado.
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DEFESA DE CORONEL SUSTENTA SUICÍDIO
Quase um mês após a morte de Gisele Santana, a defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto ainda sustenta a versão de que a soldado se suicidou com um tiro na cabeça no apartamento do casal em São Paulo.
“A defesa do tenente-coronel aguarda serenamente o desenrolar da apuração da Polícia Civil com a juntada de todos os laudos e externa a confiança na palavra do coronel: de que trata-se de suicídio”, disse no sábado (14) ao g1 o advogado Eugênio Malavasi, que defende o coronel Geraldo, da Polícia Militar (PM). “E isso será comprovado de forma cristalina ao final da investigação”.
Já o advogado que defende os interesses da família de Gisele subiu o tom ao alegar que a morte da soldado foi consequência de um crime, o feminicídio — cometido, segundo ele, pelo próprio marido dela, o coronel Geraldo.
“Eu não tenho dúvidas que ele [coronel Geraldo] matou ela [Gisele]. Mas cabe à polícia provar”, disse o advogado José Miguel da Silva Júnior também no sábado à equipe de reportagem.
Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anos. — Foto: Reprodução
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