O relator das investigações sobre fraudes no INSS e o Banco Master, ministro André Mendonça, expressou preocupações sobre a autonomia da Polícia Federal durante reunião com o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. A discussão ocorreu em meio a crescentes tensões entre o STF e a corporação, especialmente após o surgimento de nomes proeminentes como Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, nas investigações.
No encontro realizado na quinta-feira, Mendonça, que foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro, manifestou sua apreensão ao mencionar a importância da independência da PF em investigações que poderiam impactar a campanha política do atual presidente. Essa preocupação vem à tona em um contexto em que a Polícia Federal viu a sua autonomia questionada.
As relações entre Mendonça e a cúpula da PF se tornaram mais tensas nos últimos meses, especialmente após o ministro exigir a entrega completa de documentos investigativos e ser informado previamente sobre alterações na equipe encarregada de apurar fraudes relacionadas ao INSS. Essas medidas têm suas raízes nas citações a Lulinha encontradas durante as apurações, que o gabinete judicial vê como insuficientes em progresso.
Nesta reunião, Mendonça recebeu a garantia do ministro da Justiça de que não haverá interferências nos trabalhos da PF. O encontro foi mediado pelo advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, que manteve uma boa comunicação com o ministro do STF. A PF, por sua vez, se manifestou insatisfeita com as ações de Mendonça, alegando que imposições como o aviso prévio de mudanças na equipe de investigação representavam uma microgestão que ultrapassa o papel de supervisão judicial.
Esse desentendimento levou a PF a abrir um canal de diálogo formal com a AGU, apresentando um documento com a solicitação de revisão de dez pontos que envolvem as limitações impostas por Mendonça. As queixas incluem o desejo de manter um fluxo interno de gestão e limitar o acesso judicial ao material obtido na investigação. A Polícia Federal afirma que continua disposta a recorrer sempre que suas competências institucionais forem desafiadas.
As tensões começaram a ser visíveis em maio, quando a PF fez mudanças na coordenação do inquérito do INSS, o que gerou pedidos de explicações por parte de Mendonça. O entendimento da corporação era de que essas alterações eram meramente burocráticas e sem implicações nas investigações.
Recentemente, a PF apresentou solicitações para abrir inquéritos distintos sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha. Essas investigações foram separadas da Operação Sem Desconto, que trata das fraudes no INSS. A divisão dos casos foi vista por alguns ministros do STF como uma tentativa de retirar Mendonça do comando dos processos concernentes a Lulinha, embora o sorteio eletrônico tenha enviado dois dos três pedidos de volta para seu gabinete.
Em meio a esses acontecimentos, Luiz Inácio Lula da Silva reiterou o apoio à PF e defendeu a independência da instituição, afirmando que se for comprovado envolvimento de seu filho em irregularidades, ele terá que arcar com as consequências. Os 27 superintendentes da PF também divulgaram uma nota reafirmando o compromisso da corporação com a lei e a imparcialidade, destacando que a investigação não deve ser influenciada por questões políticas ou pessoais.



