Tensão no Golfo Pérsico: Frota dos EUA em alerta, Irã ameaça com ação militar

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DE reacende tensão, envia frota ao Golfo Pérsico e Irã reage “com o dedo no
gatilho”

Presidente dos EUA diz querer acompanhar “de perto” as movimentações no Irã e
fala em “precaução”

DE reacende tensão, envia frota ao Golfo Pérsico e Irã reage “com o dedo no
gatilho”

Presidente dos EUA diz querer acompanhar “de perto” as movimentações no Irã e
fala em “precaução”

23 de janeiro de 2026, 11:25 h

Imagem ilustrativa de bandeiras dos EUA e do Irã – 18/06/2025 (Foto:
REUTERS/Dado Ruvic) Apoie o 247 Siga-nos no Google News

DE – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que autorizou o
envio de uma grande força naval americana ao Golfo Pérsico com o objetivo de
acompanhar “de perto” os movimentos do Irã, em meio ao aumento das tensões entre
os dois países. A declaração foi feita uma semana após a revelação do
deslocamento do porta-aviões USS Abraham Lincoln e de seu grupo de ataque do Mar
da China Meridional para o Oriente Médio, sinalizando uma escalada militar na
região.

Ao comentar a movimentação militar, Trump disse que a decisão envolve uma
postura preventiva diante do cenário regional. “Temos uma grande armada indo
naquela direção e veremos o que acontece. É uma grande força indo em direção ao
Irã”, afirmou o presidente dos Estados Unidos, em declaração feita a bordo do
Air Force One, durante o retorno de Davos, na Suíça, onde participou do Fórum
Econômico Mundial, para Washington.

A resposta iraniana veio de forma imediata e contundente. O comandante da Guarda
Revolucionária Islâmica, general Mohammad Pakpour, alertou para o risco de
“erros de cálculo” por parte de Washington e afirmou que as forças do país estão
“com o dedo no gatilho”. Segundo ele, o aparato militar iraniano está preparado
para reagir a qualquer ação hostil. “Estamos mais preparados do que nunca,
prontos para cumprir as ordens e medidas do líder supremo”, declarou, em
referência ao aiatolá Ali Khamenei.

Além do porta-aviões USS Abraham Lincoln, a mobilização americana inclui
destróieres, caças e aeronaves especializadas em interferência eletrônica.
Também foram enviados dez aviões de reabastecimento aéreo KC-135 para a Europa,
com destino a bases no Oriente Médio, reforçando a capacidade operacional das
forças dos Estados Unidos na região.

DE reiterou que prefere evitar um confronto direto, mas destacou que o
governo americano acompanha atentamente a situação. “Eles sabem que temos muitos
navios indo naquela direção por precaução. Preferiria que nada acontecesse, mas
estamos acompanhando a situação de perto”, disse. O presidente dos Estados
Unidos voltou a afirmar que a pressão de Washington teria levado Teerã a
suspender a execução de 837 manifestantes, em meio à repressão aos protestos
internos.

Outro alto oficial iraniano, o general Ali Abdollahi Aliabadi, também fez um
alerta mais explícito. Segundo ele, caso os Estados Unidos lancem um ataque,
“todos os interesses, bases e centros de influência americanos” passariam a ser
considerados “alvos legítimos” pelas forças armadas do Irã.

De acordo com informações do Wall Street Journal, a intensificação da presença
militar levou assessores do Pentágono e da Casa Branca a discutir diferentes
cenários, que vão desde opções mais moderadas até planos que poderiam atingir
diretamente instalações da Guarda Revolucionária. O jornal aponta ainda que
Trump considera os ativos navais “decisivos” para qualquer estratégia na região.

Apesar do discurso duro, Trump não descartou a via diplomática. À margem do
Fórum Econômico Mundial, declarou: “O Irã quer conversar e nós conversaremos”.
Ainda assim, as relações seguem marcadas por desconfiança, em um contexto
histórico de rivalidade desde a Revolução Islâmica de 1979.

Os Estados Unidos mantêm atualmente oito bases permanentes e cerca de 12
instalações militares no Oriente Médio. Segundo autoridades americanas, essas
estruturas precisam ser protegidas de eventuais retaliações iranianas. Após
ameaças recentes, militares americanos e britânicos chegaram a ser retirados da
base de al-Udeid, no Catar, considerada a maior instalação militar dos EUA na
região.

Sistemas de defesa como os mísseis Patriot e Thaad foram posicionados para
conter possíveis ataques, a exemplo do que ocorreu durante a guerra de 12 dias
entre Tel Aviv, Teerã e Washington, no ano passado. Ainda segundo o Wall Street
Journal, uma eventual campanha aérea de maior escala poderia empregar caças
F-35, bombardeiros B-2 e submarinos lançadores de mísseis de cruzeiro, embora
não haja indícios concretos de deslocamento desses meios neste momento.

Questionado sobre a possibilidade de um ataque direto ao Irã, Trump manteve a
indefinição. “Teremos que ver o que acontece com o Irã”, afirmou o presidente
dos Estados Unidos, ao lembrar que o regime iraniano teria recuado de novas
execuções após alertas de Washington.

No campo diplomático, o conselheiro de segurança nacional e secretário de
Estado, Marco Rubio, discutiu a situação com o chanceler da Arábia Saudita,
príncipe Faisal bin Farhan Al Saud, cujo apoio é considerado estratégico em
qualquer eventual campanha aérea. Paralelamente, o governo americano avalia se
teria condições políticas e militares de sustentar uma operação prolongada, caso
os protestos no Irã se intensifiquem.

Autoridades iranianas informaram, na quarta-feira, um total de 3.117 mortes
desde o início das manifestações, no primeiro balanço oficial divulgado.
Organizações de direitos humanos, no entanto, afirmam que o número real de
vítimas pode ser significativamente maior.

Dentro da Casa Branca, também há debate sobre alternativas à ação militar.
Alguns assessores defendem o uso de instrumentos não bélicos, como o
endurecimento das sanções econômicas. O secretário do Tesouro dos Estados
Unidos, Scott Bessent, afirmou que a pressão financeira já produziu efeitos. “É
por isso que as pessoas foram às ruas. Isso é estratégia econômica, sem
confrontos armados, e as coisas estão caminhando de forma muito positiva por
aqui”, declarou, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

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