A Toyota e a BMW, em parceria com a Bosch e a Repsol, estão realizando um projeto piloto na Espanha para testar a gasolina 100% renovável conhecida como Nexa 95. Essa gasolina é feita a partir de resíduos orgânicos, incluindo óleo de cozinha usado, e tem o potencial de reduzir em até 70% as emissões de CO² em comparação com combustíveis fósseis.
O projeto envolve cerca de 20 veículos das duas montadoras, que não passarão por modificações mecânicas. Para garantir a rastreabilidade do novo combustível, a Bosch implementará um sistema digital que assegura o uso da Nexa 95 até o tanque dos carros.
A Nexa 95 se distingue da gasolina convencional, que é extraída do petróleo. Esta nova gasolina utiliza processos químicos para transformar biomassa e resíduos em moléculas que são idênticas às da gasolina tradicional. Esse processo garante que a gasolina atenda a todas as especificações de qualidade exigidas para o abastecimento de veículos a gasolina e híbridos na Europa.
Segundo Dolores Cárdenas, do Repsol Technology Lab, a fórmula da gasolina respeita a diretiva europeia de energias renováveis, o que assegura não apenas a sustentabilidade da matéria-prima, mas também a sua rastreabilidade. Isso é um fator crucial para a aceitação do produto no mercado.
A produção da Nexa 95 ocorre na refinaria da Repsol em Tarragona, na Espanha. A empresa já planeja aumentar a capacidade produtiva em 2023, o que indicaria um comprometimento com a expansão desse tipo de combustível. A gasolina é promovida como premium, uma vez que inclui aditivos que evitam resíduos no motor e reduzem o teor de água.
Um dos principais desafios para a adoção em larga escala da gasolina renovável é a disponibilidade da matéria-prima. O volume de óleo de cozinha usado e outros resíduos orgânicos adequados não é suficiente para substituir a gasolina fóssil em uma escala ampla. Investimentos significativos em coleta e logística serão necessários para viabilizar essa alternativa.
Além disso, o custo é uma preocupação. A Nexa 95 está sendo vendida a 9 centavos de euro por litro a mais que a gasolina comum na Espanha. Sem incentivos fiscais, a competitividade desse combustível renovável dependerá de uma redução nos custos de produção ou de políticas que incentivem o uso de combustíveis renováveis em comparação com veículos elétricos.
A iniciativa de Toyota e BMW representa um passo significativo em direção a soluções mais sustentáveis no setor automotivo. Porém, a viabilidade desse tipo de gasolina no mercado será determinada pelo equilíbrio entre custo, oferta de matéria-prima e suporte regulatório em um contexto onde os combustíveis elétricos estão se tornando a prioridade da legislação europeia para 2035.



