Trabalhador que foi preso por engano no Paraná por homicídio pediu ajuda à filha por bilhete: ‘Eu não devo nada, você sabe disso’
Darci Rodrigues de Lima ficou 30 dias detido no Paraná devido a erro em mandado de prisão expedido no Mato Grosso para condenado que tem o mesmo nome que ele. TJMT afirma que vai abrir procedimento interno para apurar erros e aplicar responsabilizações.
Darci Rodrigues de Lima, trabalhador autônomo de 53 anos que passou 30 dias preso por engano em Prudentópolis, nos Campos Gerais do Paraná, após um erro na expedição de um mandado de prisão, pediu ajuda à filha escrevendo um bilhete de dentro da cadeia. À RPC, ele contou que não lembrava do telefone dos filhos, e por isso só conseguiu contato com a família 15 dias depois. O homem entregou o bilhete para a companheira de outro preso, que procurou a família dele.
Darci tem os mesmos nome e sobrenome de uma pessoa condenada na Justiça de Mato Grosso por tráfico de drogas e homicídio. Quando o mandado de prisão foi expedido, o Tribunal de Justiça daquele estado incluiu, erroneamente, o RG, o CPF e o nome dos pais da pessoa inocente. A filha dele, Agnes Rodrigues, conta que nem sabia que o pai estava preso até receber o bilhete. A família foi até o Fórum da cidade, mas não conseguiu a soltura do homem.
O outro filho de Darci, Francisco de Lima Rodrigues Neto, destaca que o maior estranhamento da família foi ele ter sido preso por uma condenação no Mato Grosso, sendo que o trabalhador nunca viajou para fora do Paraná. Em nota, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) disse que vai abrir procedimento interno para apurar erros e aplicar responsabilizações. Homem preso por engano deixa a cadeia.
Darci foi preso no dia 26 de fevereiro e foi solto apenas na última sexta-feira, 28 de março, após conseguir um habeas corpus junto à Justiça do Mato Grosso. O pedido foi feito pelo advogado Leonardo Alessi, que atendia outros presos quando soube do caso e acessou o processo que originou o mandado de prisão. O habeas corpus, assinado pelo juiz Rafael Depra Panichella, detalha que o mandado de prisão foi expedido em nome de uma pessoa diferente da envolvida no processo.
Darci foi preso enquanto trabalhava na rodoviária de Prudentópolis, em 26 de fevereiro. Darci estava trabalhando quando foi abordado por policiais. Foi levado para a delegacia e, depois, para a Cadeia Pública de Prudentópolis. Já em casa, com a família, Darci conta que está aliviado, mas que não esquece do que passou. O sentimento é compartilhado com os familiares. Entre eles, a filha Agnes Rodrigues, destinatária do bilhete que ajudou a tirar o pai da prisão.