Trabalho Escravo no Maranhão: Números Alarmantes e Desafios na luta por direitos humanos

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No Maranhão, estado localizado na região nordeste do Brasil, o número de denúncias de trabalho escravo e condições análogas à escravidão tem preocupado as autoridades. De acordo com dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), a região ocupa o 12º lugar no ranking nacional de denúncias, com registros que apontam para 59 denúncias e 97 violações de direitos humanos no ano de 2025. Esses números refletem a persistência de práticas de exploração laboral em solo maranhense.

Entre os municípios com mais registros de trabalho escravo no Maranhão estão São Luís, Grajaú, Imperatriz e Mirador. Em São Luís, a aposentada Isabel relata ter sido vítima de exploração desde a infância, quando foi trazida do interior do estado. Ela conta que teve seus direitos negados e passou anos sem acesso à educação. Atualmente, Isabel lidera o Sindicato das Trabalhadoras Domésticas do Estado do Maranhão (STDM) e participa ativamente de ações contra o trabalho escravo na região.

O número de denúncias de trabalho escravo no Brasil também é alarmante, atingindo um recorde em 2025, com cerca de 4.515 registros em todo o país, representando um aumento de 14% em relação ao ano anterior. Os relatos envolvem diversas formas de exploração, como jornadas exaustivas, trabalho por dívida, condições degradantes, trabalho infantil e restrição de liberdade. No Maranhão, as 59 denúncias registradas e as 97 violações de direitos humanos evidenciam a gravidade da situação.

A pesquisadora Flávia Moura, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), destaca casos de violência extrema contra trabalhadores resgatados na região, incluindo agressões físicas e marcas no corpo. Além disso, muitas vítimas apresentam sequelas psicológicas, como síndrome do pânico, especialmente após tentativas de fuga de fazendas no interior do estado. A atuação do poder público, por meio de fiscalizações e resgates, tem sido fundamental para combater essa realidade de exploração.

Desde 1995, mais de 65 mil pessoas foram resgatadas de situações de trabalho escravo no Brasil, em cerca de 8 mil operações de fiscalização. Em 2024, 2.186 trabalhadores foram libertados de situações de exploração, principalmente nos setores da construção civil e do agronegócio. A vice-procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho (MPT) no Maranhão, Renata Soraya Dantas, ressalta a importância do poder público na proteção dos direitos dos trabalhadores e na prevenção de novas violações.

Ainda segundo os dados, 30% dos resgates ocorreram em áreas urbanas, com 90 trabalhadores libertados em ações conjuntas do MPT e da Polícia Federal (PF). A conscientização da sociedade civil, o fortalecimento do sistema de combate ao trabalho escravo e a punição dos responsáveis são medidas essenciais para erradicar essa prática desumana. A luta contra o trabalho escravo no Maranhão e no Brasil requer o comprometimento de todos os setores da sociedade em prol da justiça social e da dignidade do trabalho.

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