SÃO PAULO (SP) — O futebol, que move multidões nos estádios e nas telas, também move a vida de quem encontrou nele uma fonte de sustento. Duas histórias que circulam na região de Campinas ilustram bem essa realidade: a do supervisor José Domingos Rodrigues, que há quase meio século trabalha na fabricação de bolas, e a da lavadeira Vera Lúcia Ribeiro, que lava uniformes de um time amador e, com isso, complementa a renda familiar.

Da frustração no campo à realização na fábrica

Quando adolescente, José Domingos sonhava em ser jogador profissional. Treinava com frequência, buscava clubes e acompanhava as partidas de perto, mas as portas não se abriram. Precisou então buscar outras ocupações, chegando a trabalhar como garçom. Aos 17 anos, no entanto, uma oportunidade inesperada o reaproximou do esporte: uma fábrica de bolas o contratou para atuar na linha de produção. Desde então, há 47 anos, ele vive do que mais ama.

“Quando era mais jovem, eu falava: ‘preciso ter uma casa, uma família e um carro para andar’. Eu tenho tudo isso, então sou realizado. Graças à bola. Tudo o que a gente conquistou foi por conta da bola”, disse José Domingos, emocionado, em depoimento à imprensa local.

Hoje supervisor, ele acompanha todo o processo fabril, da matéria-prima ao produto final. O diretor da fábrica, Tiago Abib, enxerga um significado especial no ofício. “A gente faz a bola do zero e o legal é a alquimia da coisa. No final, os pedaços se transformam em um objeto que carrega uma energia que tem tudo a ver com esporte, família, educação e bem-estar”, afirmou. A empresa registra picos de vendas, especialmente em anos de Copa do Mundo, reforçando a tese de que o Brasil é, de fato, o país do futebol.

Lavar uniformes como complemento essencial

Assim como José Domingos, a lavadeira Vera Lúcia Ribeiro transformou a paixão pelo futebol em ganha-pão. Ela lava os uniformes de um time amador que joga todos os fins de semana. São cerca de 50 peças por semana — camisas, bermudas e meiões — que exigem cuidado redobrado para retirar barro e grama acumulados. Pelo serviço, recebe R$ 200 mensais, valor que ajuda a cobrir contas de água e luz. “Dá um pouco de trabalho, mas a gente gosta. É uma renda a mais, complementa bem”, relatou Vera Lúcia.

As duas trajetórias foram reunidas em uma série de reportagens especiais veiculadas recentemente, que exploram como o futebol vai além da paixão e se torna motor econômico para muitas famílias. Em regiões como SÃO PAULO, exemplos semelhantes se multiplicam, mostrando que o esporte mais popular do país também gera sustento, dignidade e realização pessoal.