MANAUS (AM) — O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) completou, na manhã deste sábado (18), mais de 60 horas consecutivas de trabalho no resfriamento dos tanques da fábrica da empresa Innova, localizada no Distrito Industrial, na Zona Sul de Manaus. O monitoramento começou no fim da tarde de quarta-feira (15), após o vazamento de monômero de estireno, substância química altamente inflamável e tóxica utilizada na fabricação de plásticos e borrachas. Segundo informações oficiais, os trabalhos de contenção apresentaram evolução: a liberação de vapores perdeu força e a fumaça que saía do reservatório cedeu, tornando-se quase invisível. No entanto, o odor forte do produto químico ainda é perceptível em frente à fábrica, e as equipes permanecem em alerta.
Evolução do resfriamento e monitoramento contínuo
Por segurança, o perímetro de isolamento de aproximadamente 300 metros ao redor da empresa continua mantido. Os bombeiros seguem utilizando equipamentos a laser para monitorar a temperatura interna do tanque e realizam o resfriamento da parte externa. O acompanhamento é feito para evitar que o produto volte a atingir níveis que possam provocar uma explosão. Durante vistorias técnicas, foi identificada uma fissura na base de contenção do tanque, atribuída à elevação anormal e extrema da temperatura interna registrada no início do vazamento. Engenheiros da empresa e especialistas do Corpo de Bombeiros realizam um acompanhamento rigoroso e em tempo real dessas deformidades para assegurar que não haja novos vazamentos ou agravamento do comprometimento estrutural. De acordo com a Defesa Civil, as medições realizadas nas áreas monitoradas apontam concentrações inferiores a 20 partes por milhão (ppm), sem alterações que indiquem agravamento da qualidade do ar.
Atendimentos médicos e óbito sob investigação
A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) confirmou que, até este sábado, 213 pacientes buscaram atendimento na rede pública com sintomas associados à inalação do gás. O paciente que estava internado na UTI foi transferido para a enfermaria e se encontra em recuperação. Além da rede estadual, 147 pessoas foram atendidas em um hospital privado e outras 57 em unidades de saúde da prefeitura de Manaus. A SES-AM também registrou a morte de um homem de 67 anos que procurou atendimento após relatar mal-estar provocado pelos efeitos do vazamento. No entanto, a pasta informou que o paciente tinha histórico de doença respiratória crônica e que não foi constatada relação direta entre o óbito e a ocorrência. A orientação da SES-AM é que pessoas que apresentem sintomas como irritação nos olhos, dor de garganta, falta de ar, tontura, náusea, dor de cabeça, sonolência, confusão mental ou perda de consciência procurem uma unidade de saúde ou acionem o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo telefone 192. A Defesa Civil recomenda que a população permaneça em locais abertos e ventilados, mantenha portas e janelas abertas e desligue aparelhos que captem ar do ambiente externo, como ar-condicionado e sistemas de ventilação.
Multas e interdição parcial da fábrica
Devido à gravidade do incidente, órgãos de fiscalização e proteção ambiental determinaram a interdição parcial das instalações da fábrica Innova, paralisando as atividades nas áreas diretamente afetadas. A retomada total das operações está condicionada à eliminação completa do risco de novas reações químicas e à apresentação de laudos técnicos que atestem a estabilidade da área. A empresa foi multada em mais de R$ 20 milhões pela Prefeitura de Manaus. Na quinta-feira (16), foi aplicada uma multa de 30 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs), equivalente a R$ 4.554.300, por poluição do ar. Na sexta-feira (17), uma nova autuação de 35 mil UFMs (R$ 5.347.300) foi aplicada por poluição do solo e de corpo hídrico, após a prefeitura identificar, com auxílio de drones equipados com câmeras térmicas, fissuras em parte do tanque e a continuidade do vazamento. Somadas, as multas chegam a R$ 22.401.600,00, com recursos destinados ao Fundo Municipal para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA). O Governo do Estado não informou a destinação de valores. A Polícia Civil do Amazonas, com apoio da Polícia Técnico-Científica, vai realizar perícia para apurar as causas do acidente, cuja principal hipótese, segundo os bombeiros, é uma reação espontânea no interior do tanque. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) acompanha a execução do Plano de Ação de Emergência e fiscaliza as medidas para minimizar impactos ambientais.





