Tradição da Lapinha no Cariri: Encenações e Músicas Tradicionais no Natal e Dia de Reis – Grupos Preservam Cultura com Crianças e Jovens

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Lapinhas mantêm viva tradição do Natal no Cariri e reúnem gerações em apresentações folclóricas

Grupos de lapinha celebram o Natal e o Dia de Reis com encenações e músicas tradicionais. Crianças e jovens protagonizam apresentações em cidades do sul do Ceará.

Conheça a lapinha com mais de 100 anos de criação no Cariri

Lapinhas mantêm viva tradição do Natal no Cariri e reúnem gerações em apresentações folclóricas. Grupos de lapinha celebram o Natal e o Dia de Reis com encenações e músicas tradicionais. Crianças e jovens protagonizam apresentações em cidades do sul do Ceará.

Aos 76 anos, Zulene Galdino conversa pacientemente com as crianças, ensaiando versos e passos no terreiro de casa, na Vila Novo Horizonte, periferia de Crato, cidade Cariri do Ceará. Vai começar mais uma apresentação da lapinha, encenação da noite de Natal.

Os festejos acontecem até o Dia de Reis, 6 de janeiro, quando é queimada a Lapinha. O trabalho de Zulene é uma forma de manter viva a tradição popular e repassar os ritos para as novas gerações.

“Quem me ensinou foi minha mãe. Ela dizia que o presépio vivo era a história mais linda do mundo. O grupo já tem muitos anos. Por aqui, já passaram filhos e netos das mesmas famílias”, afirma Zulene, que é Mestra da Cultura reconhecida pelo Governo do Estado do Ceará.

A lapinha com mais de 100 anos de criação no Cariri

Em Juazeiro do Norte, fica a lapinha considerada a mais antiga do Cariri, com 113 anos. É a Lapinha Santa Clara. Criada com orientação do Padre Cícero, já teve três mestras como realizadoras: a fundadora Teodora, a filha Tatai e a neta Vanda Pereira da Silva, que morreu em março de 2025. Hoje, a coordenação está com o viúvo da mestra Vanda. Damião Felipe conduz cerca de 30 brincantes.

“DE lapinha é uma visita ao Menino Jesus no presépio. É uma louvação religiosa. Nós percorremos sete igrejas e fazemos apresentações em várias cidades do Cariri”, afirma Damião Felipe.

Lapinha Santa Clara é a mais antiga do Cariri, no Ceará. — Foto: Claudiana Mourato/SVM

Na encenação folclórica da noite de Natal, crianças e adolescentes representam Jesus, Maria e José, além de anjos, pastores, animais e até astros, como o sol e a estrela de Belém. No caso da Lapinha Santa Clara, o grupo traz peculiaridades: a presença de um romeiro representando o Padre Cícero e a encenação de Santa Clara, católica italiana que viveu nos séculos XII e XIII e que dá nome ao grupo.

Origem do folclore

Em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, Luís da Câmara Cascudo afirma que lapinha é a denominação popular de pastoril: “cantos, louvações, loas, entoadas diante do presépio na noite do Natal, aguardando-se a missa da meia-noite”. O folclorista explica a origem do nome:

“Lapa, lapinha, é sinônimo tradicional de presépio. No protoevangelho de Tiago (cap. XVIII), a Sagrada Família se recolheu a uma caverna onde nasceu Jesus Cristo. A caverna, cova, gruta, lapa, é de tradição o local dos mistérios, da ciência secreta, dos conhecimentos sobrenaturais, a escola superior da sabedoria. Morada dos primeiros homens, é o passo inicial para a inteligência analítica”.

No Cariri cearense, as lapinhas atraem muitos estudantes, a maioria crianças. — Foto: Patrícia Silva/Sistema Verdes Mares

No Cariri cearense, as lapinhas têm agenda intensa. No período de férias escolares, os grupos atraem muitos estudantes, a maioria crianças, mas também adolescentes gostam de participar. Aos 19 anos, Lucas Eduardo Gomes Lima toca zambumba na Lapinha Santa Clara, depois de já ter vivido outros personagens: “É muito importante manter viva essa cultura. Cristo nos deu a vida, todo ano temos a oportunidade de agradecer e adorar”.

Maria Geovana Santos, 13 anos, faz parte da lapinha há dois anos: “É muito legal vir para os ensaios. Eu me sinto lisonjeada ao saber que outras pessoas vão me conhecer e se sentirem motivadas a participar e a valorizarem a cultura do nosso Cariri”.

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