O carnaval de rua do Rio é uma tradição secular que ultrapassa marcos oficiais de nascimento e existe há séculos. A cidade do Rio de Janeiro possui blocos que criaram sua própria identidade ao longo da história. O RJ2 reunou curiosidades, histórias e imagens clássicas desses blocos que fazem parte da folia carioca.
Não há uma data exata que defina o início do carnaval de rua no Rio de Janeiro. Registros da festa remontam ao período do Império, porém a origem é difusa, resultado da construção gradual por diferentes grupos sociais ao longo dos tempos. A cidade entra oficialmente no clima de festa a partir deste sábado, com cerca de 7 milhões de pessoas esperadas nas ruas durante o Carnaval de 2026, de acordo com a Riotur.
Segundo o crítico cultural e professor da PUC-Rio, Miguel Jost, o Carnaval que se desenvolveu no Centro da cidade e em regiões como Estácio, Gamboa e Saúde surgiu da mistura de culturas trazidas por migrantes, em especial do Nordeste, nos séculos XIX e XX. Os primeiros ranchos eram formados por baianos, sergipanos, pernambucanos, alagoanos, que competiam para mostrar quem tinha o melhor estandarte, porta-bandeira e mestre-sala.
Apesar de hoje ser inseparável do samba, o gênero musical só se popularizou após a festa já existir. No início do século XX, o Carnaval carioca era embalado por uma variedade de ritmos brasileiros e estrangeiros. Grupos como o Caxangá, que reunia nomes como Pixinguinha, Donga e João Pernambuco, se inspiravam em toadas sertanejas. O filme “Alô, Alô Carnaval”, de 1936, marcou a festa, assim como o “Carnaval da Vitória” em 1946, celebrando o fim da Segunda Guerra Mundial.
Alguns anos ficaram marcados na história do Carnaval carioca, como 1919, quando o Cordão da Bola Preta já era destaque, e 1936, com o filme que trouxe Carmen Miranda para as ruas. Outro momento inesquecível foi o “Carnaval da Vitória” em 1946, após o término da Segunda Guerra Mundial. Blocos tradicionais, como o Cordão da Bola Preta, o Bafo da Onça e o Cacique de Ramos, têm importante papel na folia carioca.
O Carnaval de rua da Zona Sul do Rio de Janeiro ressurgiu nos anos 1980, especialmente durante o movimento das Diretas Já, em 1985. Dessa época surgiram blocos que arrastam multidões até hoje, como o Simpatia É Quase Amor e o Barbas. Segundo Rita Fernandes, o Carnaval de rua voltou como movimento cultural a partir das mobilizações políticas do final da ditadura, consolidando-se nos anos 2000 com mais de 800 blocos conhecidos. Os sambas dos blocos refletem a história da cidade, abordando questões econômicas, políticas e do cotidiano carioca com humor e ironia. O Carnaval de rua do Rio é considerado uma das maiores manifestações artísticas e culturais do mundo, incorporando elementos sonoros, visuais, dança, política e afeto, sendo uma obra de arte total sem precedentes.




