Tráfico internacional de cocaína: grupo preso usava dicionário próprio para despistar PF

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Fena, escama, mamadeiras: presos por tráfico internacional de cocaína adotaram dicionário próprio para despistar investigadores, diz PF

Um grupo investigado pela Polícia Federal, em operação contra o tráfico internacional de cocaína, utilizava um vocabulário próprio para despistar os investigadores. O uso de termos como ‘fena’, ‘escama’ e ‘mamadeiras’ tinha o objetivo de se referir a substâncias e itens relacionados à produção e tráfico da droga. De acordo com a PF, cinco pessoas estão presas e outras três ainda são procuradas, em uma investigação que revelou anotações e conversas que faziam uso desse jargão particular.

A quadrilha em questão era descrita como atuando de maneira sofisticada, utilizando garrafas térmicas para encaminhar cocaína para países da Europa e Dubai, sem chamar a atenção das autoridades aduaneiras. Além disso, a organização se valia de registros como Microempreendedores Individuais (MEI) para dissimular a origem dos lucros ilegais obtidos com o tráfico. Não só isso, a adoção de uma linguagem cifrada pelos integrantes também revelou a complexidade das operações e a necessidade de métodos dissimulados.

O vocabulário descoberto nas anotações e conversas da quadrilha englobava termos como ‘azeite’, ‘barricas de café’, ‘café’, ‘escama’, ‘exportação’ e outros, todos utilizados para referenciar drogas, diluentes e a logística do tráfico. A utilização dessas palavras codificadas permitia que todos os envolvidos na organização compreendessem as mensagens trocadas. O dicionário interno possibilitava que as atividades do grupo acontecessem de forma coordenada e discreta.

A operação White Coffee foi conduzida pela Polícia Federal com o objetivo de desarticular a quadrilha que operava o tráfico internacional de drogas. Cinco mandados de prisão preventiva foram cumpridos, sendo dois deles direcionados a investigados que já estavam presos desde um ano anterior. Três pessoas ainda estão foragidas e respondem às ordens judiciais emanadas pela 9ª Vara da Justiça Federal.

O esquema, descoberto após a prisão de um líder do grupo, envolvia várias etapas, desde o recebimento da cocaína proveniente da Colômbia e da Bolívia, passando pela manipulação em laboratórios e embalo das remessas, até o envio para compradores em locais como Portugal, Inglaterra, Alemanha, Dinamarca e Dubai. O entorpecente era camuflado em remessas expressas, utilizando garrafas térmicas e outros disfarces para evitar a detecção das autoridades alfandegárias.

O sucesso do esquema criminoso se baseava em uma logística complexa que envolvia desde laboratórios clandestinos e diluição da droga em substâncias diversas, até a utilização de garrafas térmicas e empresas de fachada para a distribuição internacional. A descoberta de um dicionário próprio e a caracterização dos crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro completam o perfil da organização desmantelada pela PF. Com penas que somam até 40 anos, os envolvidos enfrentarão a justiça pelos crimes cometidos. O nome ‘White Coffee’, uma referência ao termo ‘café’ utilizado para se referir à cocaína, foi escolhido para batizar a operação que resultou na desarticulação desse sofisticado esquema criminoso.

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