Trigêmeas aprovadas em universidades se preparam para novas rotinas

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Aprovadas no mesmo ano em universidades, trigêmeas que estudaram na escola
pública se preparam para novas rotinas

Beatriz, Letícia e Yasmin, de 18 anos, estudaram a vida inteira juntas e
comemoram o acesso ao ensino superior em cursos diferentes.

Trigêmeas são aprovadas na universidade pública no mesmo ano, no Ceará
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O mês de março vai trazer grandes mudanças para as trigêmeas Beatriz, Letícia e
Yasmin Oliveira, de 18 anos. Depois de uma vida inteira estudando nas mesmas
escolas, elas irão frequentar aulas em universidades diferentes. Em comum, elas
partilham a alegria de terem sido aprovadas em cursos do Ensino Superior no
mesmo ano.

As três irmãs cursaram o Ensino Médio na rede pública, na Escola de Ensino Médio
em Tempo Integral Dr. César Cals, no Centro de Fortaleza
[g1.globo.com/ce/ceara/cidade/fortaleza].

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Em 2025, elas enfrentaram uma rotina intensa de estudos enquanto cursavam a 3ª
série e se preparavam para o Exame Nacional do Ensino Médio e outros
vestibulares. Com as notas, elas foram descobrindo, uma a uma, que haviam
alcançado o sonho de ter uma vaga em instituições públicas.

As trigêmeas Letícia, Yasmin e Beatriz Oliveira, de 18 anos, conquistaram
vagas em faculdades no mesmo ano — Foto: Fabiane de Paula/SVM

Beatriz foi aprovada para o bacharelado em Ciência da Computação, no Instituto
Federal do Ceará (IFCE) de Maracanaú
[g1.globo.com/ce/ceara/cidade/maracanau].

Com o resultado do Enem, ela também conquistou uma vaga no Programa Universidade
Para Todos (ProUni), que permitiria que ela fizesse o mesmo curso em uma
instituição privada. Ela conta que ficou em dúvida até optar pela vaga no IFCE.

> “Eu pedi apoio dos meus professores e dos meus coordenadores para decidir. Eu
> já tinha muito interesse pelo IFCE, descobri que lá tem laboratórios e coisas
> muito legais da área do meu interesse. E também conheço as pessoas que estudam
> lá, elas me indicaram que era muito bom”, contou ao DE.

Letícia foi aprovada no curso de Serviço Social, na Universidade Estadual do
Ceará (Uece). Após os primeiros contatos com o campus durante a semana de
integração, ela partilha que tem gostado bastante de descobrir o ambiente
universitário.

Yasmin também foi aprovada na Uece, no curso de Ciências Biológicas. A estudante
partilhou que vai frequentar as aulas que se iniciam na próxima semana. No
entanto, ela sonha em estudar Medicina e deve continuar se preparando para
outros vestibulares.

As trigêmeas Yasmin, Letícia e Beatriz conquistaram vagas na Uece e no
IFCE — Foto: Fabiane de Paula/SVM

Moradoras do Centro de Fortaleza, as trigêmeas sempre estudaram na mesma sala na
vida escolar até o Ensino Fundamental. A primeira separação veio quando elas
começaram o Ensino Médio e ficaram em turmas diferentes.

Ainda assim, elas iam e voltavam juntas para a escola e costumavam se encontrar
nos intervalos das aulas.

Em 2025, a rotina se intensificou por causa dos vestibulares. As irmãs tinham
aulas da 3ª série pela manhã. À tarde, se revezavam entre um cursinho
preparatório e atividades da modalidade integral na escola, como laboratórios de
redação e aulas de conteúdos específicos.

Durante a noite, elas se dedicavam aos estudos em grupo numa dinâmica em que
cada uma ajudava as demais nas áreas que mais gostavam. Beatriz, por exemplo,
domina mais a matemática, enquanto Letícia se encarregava de dar aulas de
história para as irmãs.

> “Eu tô bem animada porque [a universidade] vai ser uma experiência nova que a
> gente vai viver separadas, só que eu tô muito curiosa também pra ver como é
> que vai ser. E acho que a gente ainda vai continuar estudando juntas algumas
> coisas, porque a gente sempre foi muito acostumada a estudar juntas”, relata
> Beatriz.

Essa estratégia também foi vista como positiva para eliminar distrações. Elas
contam que tinham em mente os resultados que queriam alcançar, recebendo da
escola e dos familiares o incentivo para priorizarem os estudos.

> “Teve vários momentos em que a gente tava estudando juntas e que uma de nós
> queria mudar o foco, fazer qualquer outra coisa. Aí uma ia lá e puxava e dizia
> ‘não gente, temos que terminar, vamos estudar’…”, recorda Letícia.

“Deu certo pra gente e pode dar certo para outras pessoas. Eu acho que o estudo
individual fica um pouco mais puxado, mais pesado quando você se isola. Quando
você estuda com outras pessoas, o contato é muito bom, compartilhar o
conhecimento é muito bom”, acrescenta Yasmin.

Letícia, Yasmin e Beatriz cursaram o ensino médio na escola Dr. César Cals, em
Fortaleza — Foto: Secretaria da Educação/Divulgação

Filhas de comerciantes autônomos, elas contam que sempre foram incentivadas a
fazer faculdade. Neste último ano, era comum que os pais levassem o almoço para
elas ou ajudassem com a ida para o cursinho preparatório.

A torcida ia além dos pais, com tios e primos que também estimulavam Beatriz,
Letícia e Yasmin.

> “Nossa família sempre foi bem grande, e sempre tivemos o apoio de todos eles.
> Toda vez que a gente postava uma coisa que a gente estava estudando, eles
> estavam lá comentando, dando parabéns, falando pra gente continuar”, relata
> Letícia.

Para elas, o suporte das equipes da escola Dr. César Cals também foi essencial
nesse caminho. Além das atividades em tempo integral para aprofundar os
conteúdos, elas contam que conviveram com muitas mensagens de estímulo de
professores e coordenadores durante todo o percurso.

> “Realmente foi uma instituição que nos impulsionou a seguir nossos sonhos e a
> correr atrás”, acrescenta Letícia.

“Sobre o futuro, a gente não tem exatamente a certeza do que será. Só que a
gente sabe que, com o que a gente está conquistando agora e com as conquistas
que virão, a gente sabe que isso vai nos ajudar muito, vai ajudar a sociedade. E
a educação é o pilar para a gente realizar esses sonhos”, comenta Beatriz.

Reconhecendo a qualidade do ensino nas escolas públicas, elas deixam a mensagem
para que outros estudantes se esforcem e persistam no sonho de acesso ao Ensino
Superior. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

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