Planalto orienta ministros a evitar gestos políticos em desfile de escola de
samba com enredo sobre Lula
TSE rejeita liminares que tentavam impedir desfile de escola de samba que
homenageará Lula
A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que rejeitou liminares contra o
enredo da escola de samba Acadêmicos de Niterói,
que prestará uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Carnaval
deste deste ano, foi interpretada no Palácio do Planalto como um sinal de
alerta.
Segundo assessores presidenciais, embora o TSE tenha afastado, por ora, a
aplicação de multa por campanha antecipada, a Corte deixou claro que o mérito da
questão ainda não foi julgado.
A presidente do tribunal, ministra Cármen Lúcia, afirmou que o caso pode se
transformar em “areia movediça” para quem se arriscar. E que a decisão desta
quinta-feira (12) não significa que no futuro, os ministros não possam vir a
analisar a conduta dos citados.
A leitura no Planalto é que, caso haja indícios posteriores de abuso de poder
econômico ou uso indevido dos meios de comunicação, o episódio pode voltar a
ser analisado — e resultar em punições mais graves, como até a cassação de um
eventual registro de candidatura.
DIVISÃO INTERNA NO PLANALTO
Dentro do governo, há divergências sobre a participação de Lula no desfile.
Uma ala defende que o presidente compareça ao evento e não vê problemas na
eventual participação da primeira-dama, Janja da Silva, no desfile da escola.
Outro grupo, no entanto, avalia que o cenário recomenda cautela. Para esses
auxiliares, caso Lula decida ir, o ideal seria permanecer apenas no camarote,
evitando exposição direta na avenida. Na mesma linha, defendem que a
primeira-dama não desfile.
A avaliação predominante entre interlocutores do presidente é que a decisão do
TSE não encerra o assunto, mas estabelece parâmetros que precisarão ser
observados com rigor para evitar questionamentos futuros na Justiça Eleitoral.




