Unidades prisionais da Grande BH registram cinco mortes em um mês
A Justiça de Minas Gerais determinou que o governo do estado elabore um plano de intervenção para o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, na Região Oeste de Belo Horizonte, em até 15 dias. Em menos de um mês, pelo menos quatro detentos morreram no local.
O caso mais recente foi no último sábado (14). Nilson Lemes Carvalho, de 49 anos, foi encontrado morto na cela. Ele estava no Ceresp havia apenas uma semana. No fim de fevereiro, entre os dias 26 e 27, outros três presos morreram na unidade prisional.
Também foram determinadas pela Justiça melhorias imediatas na manutenção das celas e no fornecimento de colchões, remédios, alimentos e água. A decisão é da última sexta-feira (13), quando houve audiência do MP com a Defensoria Pública e representantes do governo do estado.
Irregularidades e falta de condições humanas
Em 3 de fevereiro, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) havia participado de uma inspeção na unidade prisional e encontrado superlotação, baixo efetivo de policiais penais, condições insalubres e atrasos na distribuição de refeições. O MPMG ainda identificou irregularidades na concessão de banhos de sol, falta de medicamentos e de tratamento odontológico, além de alagamentos, sujeira e grande número de insetos nas celas e nos corredores.
Na última sexta-feira (13), promotores do Ministério Público participaram de uma audiência com integrantes da Defensoria Pública e do Departamento Penitenciário de Minas Gerais sobre a situação na unidade prisional.
Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) confirmou que tratou da situação do Ceresp Gameleira durante uma audiência no Tribunal de Justiça de MG. Segundo a pasta, estão sendo realizadas obras, e o governo começou a entregar cerca de 2,7 mil vagas em unidades prisionais no estado. A Sejusp afirmou, ainda, que um concurso público com 1.078 vagas está em andamento para reforçar o efetivo da policia penal.
Mortes e violações de direitos na unidade prisional
Em um ambiente marcado por mortes de detentos e violações de direitos, o Ceresp Gameleira vem chamando a atenção das autoridades e da sociedade mineira. As condições insalubres e a superlotação contribuem para um cenário alarmante de desrespeito à dignidade humana.
As recentes mortes de presos na unidade prisional expõem a gravidade da situação, revelando a urgência de medidas efetivas para garantir a segurança e a integridade dos detentos. Diante das denúncias de irregularidades e falta de condições básicas, a pressão por mudanças e melhorias torna-se cada vez mais evidente.
A sociedade civil e as organizações de direitos humanos têm se manifestado contra as violações cometidas no Ceresp Gameleira, exigindo transparência, responsabilização e respeito aos direitos fundamentais dos presos. O clamor por justiça e por uma abordagem mais humanitária no sistema prisional ecoa em meio às tragédias que têm marcado a unidade.



