Silvana Vale dos Santos luta para garantir o tratamento do filho, Josué, de 2 anos — Foto: Reprodução/TV Globo
A família de Josué, um menino de 2 anos e 4 meses diagnosticado com paralisia cerebral e epilepsia, afirma que a Unimed Ferj não iniciou as terapias indicadas pelos médicos para o garoto mesmo com uma decisão da Justiça. Uma liminar que obrigava o plano de saúde a custear o tratamento foi concedida há 8 meses.
Josué nasceu prematuro extremo, com apenas 28 semanas de gestação, e pesando 38 gramas.
O menino ficou cerca de 6 meses internado na UTI neonatal. Após receber alta hospitalar, foi diagnosticado com paralisia cerebral e epilepsia, condições que exigem acompanhamento contínuo e diferentes terapias de reabilitação.
Segundo a mãe, Silvana Vale dos Santos, desde o início os médicos alertaram sobre a necessidade de iniciar o tratamento especializado.
De acordo com Silvana, a família procurou atendimento pelo plano de saúde, mas as opções apresentadas não correspondiam às terapias indicadas pelos profissionais que acompanham o menino.
“Encontramos métodos que não eram compatíveis com o que os profissionais que o acompanham indicaram. Nós precisamos entrar na Justiça”, afirmou.
A ação judicial foi protocolada em 3 de julho do ano passado. Na ocasião, a Justiça determinou que a Unimed Ferj custeasse o tratamento descrito no laudo médico no prazo de 48 horas. A decisão também estabeleceu multa diária de R$ 300 em caso de descumprimento, limitada a R$ 30 mil.
Segundo a família, no entanto, o atendimento ainda não começou. Já se passaram 8 meses e 9 dias desde a concessão da liminar.
A advogada do caso, Ariadnes Moraes, afirma que novas medidas estão sendo tomadas para tentar garantir o cumprimento da decisão.
“O próximo passo é pedir penhora de faturamento, visto que eles estão recebendo o pagamento dos clientes. Com essa penhora, a gente espera que tenhamos pelo menos 2 meses de tratamento garantido”, explicou.
Enquanto aguardam uma solução, os pais tentam manter alguns estímulos em casa. Com a ajuda de doações, a família comprou tatames e equipamentos terapêuticos para realizar exercícios motores e respiratórios com o menino.
“Se a gente pudesse, a gente pagava R$ 30 mil, quanto fosse por mês, mas a gente não pode. Então a gente faz o paliativo. Somos pais com muita vontade, mas os profissionais que ele precisa, ele não está tendo acompanhamento”, disse a mãe.
Silvana afirma que o tratamento é essencial para o desenvolvimento do filho.
“O Josué não é número de carteirinha. Ele é uma vida, ele é nosso filho, nosso bem mais precioso. Nosso filho é um guerreiro e a luta dele não vai ser invalidada”, declarou.
O QUE DIZEM AS EMPRESAS DO SISTEMA UNIMED
Em nota, a Unimed Ferj informou que, desde novembro de 2025, a Unimed do Brasil passou a ser responsável pela assistência aos beneficiários e também pelas demandas judiciais relacionadas a questões assistenciais.
Já a Unimed do Brasil afirmou que, mesmo não sendo ré na ação judicial, procurou a família para entender a situação e orientar sobre possibilidades de atendimento.
Josué, de 2 anos e 4 meses, nasceu prematuro e foi diagnosticado com paralisia cerebral e epilepsia — Foto: Reprodução




