Clínica suspende atendimento a 220 crianças atípicas por falta de pagamento da
Unimed Ferj
Pacientes têm deficiência ou Transtorno do Espectro Autista no Rio de
Janeiro e em Duque de Caxias.
Uma clínica de neuroreabilitação infantil suspendeu o atendimento de 220
crianças com deficiência ou com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Rio de
Janeiro e em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Segundo a unidade, a paralisação ocorreu por falta de pagamento da operadora
Unimed Ferj desde novembro. Diante da situação, familiares registraram queixa na
delegacia e procuraram o Ministério Público do Rio (MPRJ).
Benício, de 6 anos, tem hidrocefalia, paralisia cerebral e autismo e está entre
os pacientes afetados. A mãe, a comerciante Ana Paula Freire, teme retrocessos
no tratamento.
> “Ele vai regredir muito, muita coisa, provavelmente fazer uma outra cirurgia
> de quadril maior do que a que ele fez em julho. Nós queremos mudar de plano,
> todos aqui querem, mas nós não conseguimos porque todo plano quer carência ou
> não quer aceitar nossos filhos. Nenhum plano vai querer uma criança com
> deficiência”, diz a mãe.
Veja os vídeos que estão em alta no DE
Ravi, de 5 anos, também está sem atendimento. A avó, Lucimar de Oliveira Costa,
afirma que a família paga cerca de R$ 2 mil por mês pelo plano de saúde.
“O Ravi é não verbal. A gente tá começando uma comunicação alternativa. Então,
se a gente parar ele regride, ele não tem essa comunicação alternativa. Ele faz
fisioterapia motora todos os dias. De segunda a sexta, eu levo para as terapias.
Se ele não fizer um dia já regride”, diz a gerente comercial e avó do Ravi.
Sem respostas da Unimed, as famílias foram prestar queixa na delegacia, que
classificou o caso como “fato atípico”.
Depois, procuraram o Ministério Público em busca de uma solução para que os
atendimentos sejam retomados.
Cerca de 350 mil beneficiários enfrentam a crise da Unimed Ferj há mais de 1
ano. Em janeiro, o RJ2 mostrou que funcionários estavam sendo demitidos
Na época, a Unimed Ferj afirmou que tinha uma dívida de R$ 1,4 bilhão. A
Associação de Hospitais do Estado do Rio disse que o valor era mais alto: R$ 2
bilhões.
Em novembro do ano passado, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
determinou que a Unimed Brasil assumisse a assistência médica aos clientes da
operadora no Rio e em Duque de Caxias. A responsabilidade pelo pagamento das
dívidas, no entanto, permanece com a Unimed Ferj.
Em dezembro, a Justiça proibiu a redução da cobertura ou a limitação de serviços
essenciais.
“A gente paga nosso plano de saúde em dia, a gente merece respeito, a pessoa com
deficiência merece o triplo de respeito. A mãe atípica não pode estar aqui
envolvida nisso o dia inteiro. Não é justo com a gente que isso esteja
acontecendo”, diz Roberta Maia, servidora pública e mãe do Guilherme, de 11
anos.
O Ministério Público informou que já requisitou esclarecimentos à clínica. E a
Polícia Civil afirmou que agentes fizeram diligências para apurar e esclarecer
as circunstâncias do que foi relatado.
O QUE DIZ A UNIMED BRASIL
Em nota, a Unimed do Brasil afirmou que fez pagamentos parciais à unidade,
referentes apenas aos atendimentos que tiveram o mínimo de comprovação.
A entidade declarou que não há contrato firmado com a clínica citada na
reportagem e que tentou formalizar a contratação reiteradas vezes, sem sucesso.
A Unimed Brasil informou ainda que já contratou prestadores de terapias
especiais para dar continuidade aos atendimentos e que permanece à disposição
das famílias, trabalhando para normalizar a assistência aos beneficiários no Rio
de Janeiro e em Duque de Caxias.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar informou que solicitou explicações à
Unimed Brasil sobre a suspensão do atendimento da Clínica Follow Kids. E
enfatizou que é dever da operadora oferecer alternativas de profissionais ou de
estabelecimentos de saúde para que os atendimentos sejam realizados dentro dos
prazos máximos estipulados.
O RJ2 pediu um posicionamento à clínica de neuroreabilitação infantil Follow
Kids e à Unimed Ferj, mas não teve retorno.




