O uso intenso de redes sociais por pessoas com 55 anos ou mais tem se mostrado prejudicial à saúde mental, segundo um estudo internacional que analisou dados de 13.536 idosos. A pesquisa evidenciou que aqueles que utilizam frequentemente plataformas digitais relataram níveis mais baixos de bem-estar psicológico. O foco excessivo em comparações sociais e o consumo de conteúdos negativos nas redes podem intensificar sentimentos de solidão e ansiedade, alertam especialistas da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
As psicólogas Kamila Vilela e Cecília Galetti destacam que a presença constante nas redes sociais pode levar ao isolamento, pois muitos idosos deixam de realizar atividades importantes, como o cuidado com a saúde e encontros familiares. “O uso excessivo das redes sociais pode, inclusive, fazer com que o indivíduo afaste-se do convívio social”, alerta Galetti. De acordo com dados do IBGE, 47% dos brasileiros estão sedentários, o que pode ser amplificado pelo tempo despendido em atividades digitais.
Como evitar prejuízos à saúde mental?
O que é necessário, segundo Kamila Vilela, é encontrar um equilíbrio no uso das redes sociais. Ela recomenda escolher cuidadosamente o conteúdo consumido e estabelecer limites de tempo para a navegação. “As relações presenciais continuam sendo fundamentais para a nossa saúde mental”, reitera a psicóloga. Essa abordagem não apenas protege a saúde mental, mas também previne outros problemas, como sedentarismo e alterações do sono.
Daniela Barbieri, geriatra e primeira secretária da SBGG-ES, complementa que priorizar a qualidade do uso das redes pode impedir a fadiga visual, um problema cada vez mais comum entre os idosos. O cenário se agrava, pois a tecnologia, ao invés de ser uma aliada, tem se tornado um substituto das interações humanas e hábitos saudáveis, criando um ciclo vicioso de dependência digital.
Quais os impactos do uso de redes sociais?
O estudo da Universidade de York, publicado na revista científica PLOS Global Public Health, revela que 59,6% dos idosos utilizam aplicativos de mensagens, enquanto 52,3% acessam redes sociais. No entanto, mesmo com a inclusão digital, 60,6% dos participantes classificaram sua saúde mental como ‘muito boa’ ou ‘excelente’, embora a pesquisa identifique que esses números contrastam com os de usuários que se sentem sobrecarregados por conteúdo negativo. A comparação social impacta profundamente a percepção que os idosos têm de si mesmos e de suas vidas.
Pesquisas anteriores já indicavam que atividades online poderiam estar associadas ao aumento de sintomas de ansiedade e depressão. Além disso, a literatura científica ainda apresenta resultados contraditórios sobre esta relação, sugerindo a necessidade de mais estudos. A cautela é necessária ao interpretar esses dados, pois a pesquisa se baseia em correlações e não estabelece relações de causa e efeito.
Que práticas simples podem ser adotadas?
Pode-se adotar algumas práticas preventivas para garantir que o uso das redes sociais não prejudique a saúde mental. Professores e psicólogos recomendam estabelecer horários limitados de uso diário e manter atividades fora da internet, como caminhadas ou encontros com amigos. Fazer uma ‘limpeza’ nas redes, eliminando perfis que geram ansiedade, e priorizando conteúdos que promovem aprendizado, também é uma estratégia eficaz.
Isabel Nascimento, uma educadora de 63 anos, reforça a importância de desconectar-se da internet. A prática de hobbies, como crochê e jardinagem, mostrou-se benéfica para reduzir o tempo de tela. “Procure a família e amigos, desgrude um pouco da internet,” orienta Isabel, ressaltando que a comunicação face a face é insubstituível. O desafio continua sendo encontrar um equilíbrio saudável entre a vida digital e os relacionamentos reais, especialmente para os idosos.


