Uma nova pesquisa publicada na revista PLOS Global Public Health com 13.536 idosos canadenses revela que o uso de redes sociais pode estar associado a uma percepção negativa da saúde mental entre pessoas com 55 anos ou mais. O estudo, liderado por Hossam Ali-Hassan, da Universidade de York, destaca que, enquanto as redes sociais têm essa associação negativa, o uso de e-mail foi relacionado a avaliações mais positivas do bem-estar psicológico.
Os dados, extraídos da Pesquisa Canadense de Uso da Internet de 2022, realizada pelo Statistics Canada, indicam que, com a aceleração da inclusão digital, os idosos se tornaram um dos grupos que mais crescem no uso da internet, alcançando 83% de participação em atividades online em 2022. No entanto, a pesquisa aponta que a presença digital não garante benefícios automáticos à saúde mental, o que é um ponto crucial a ser considerado na adoção de tecnologias por esse grupo etário.
O que a pesquisa revelou sobre as redes sociais e o bem-estar?
O estudo encontrou que, após ajustar para fatores como idade, renda e escolaridade, as redes sociais estão associadas a uma pior percepção da saúde mental. Os pesquisadores levantam hipóteses sobre esse fenômeno, que incluem a exposição a conteúdos perturbadores e o efeito da comparação social, onde os idosos se comparam constantemente com as vidas idealizadas que veem na internet.
Adicionalmente, o estudo cita dados que associam atividades online específicas ao aumento de ansiedade e depressão na terceira idade. Essa dinâmica é particularmente relevante, visto que, segundo a OMS, 9,3% da população brasileira enfrenta sintomas de ansiedade, um índice que pode ser afetado pelo uso de mídias sociais. Assim, a relação entre redes sociais e bem-estar mental se torna uma questão significativa para políticas de saúde pública e intervenções sociais.
Por que o e-mail se destaca positivamente?
Contrapondo-se à evolução geral das redes sociais, o e-mail apresentou uma associação positiva significativa com a saúde mental dos idosos. Aqueles que utilizavam e-mail relataram uma percepção mais favorável de sua saúde mental, indicando que essa ferramenta pode promover vínculos sociais de forma mais estruturada. Especialistas sugiram que essa modalidade de comunicação permite que os usuários leiam e respondam às interações em seu próprio ritmo, aumentando a sensação de controle sobre suas conexões sociais.
Além disso, a comunicação via e-mail pode mitigar sentimentos de solidão. Um levantamento realizado pela Fiocruz indicou que o isolamento social afeta cerca de 12% da população idosa no Brasil, tornando essencial entender como as diferentes formas de interação digital influenciam esse quadro. Utilizar ferramentas que favorecem a conexão mais reflexiva e menos imediata, como o e-mail, pode ser uma estratégia valiosa para melhorar o bem-estar psicológico desta população.
Quais dados relevantes foram observados sobre os idosos canadenses?
Os resultados da pesquisa revelam que 80,2% dos idosos entrevistados utilizavam e-mail, 59,6% empregavam aplicativos de mensagens instantâneas, enquanto 52,3% acessavam redes sociais e 44,4% faziam chamadas de voz ou vídeo. Em termos de saúde mental, 60,6% dos participantes classificaram seu estado como “muito bom” ou “excelente”, com apenas 1,7% afirmando ter uma condição considerada ruim.
No entanto, os pesquisadores também apontaram que o uso de chamadas de vídeo, aplicativos de mensagens instantâneas e até mesmo redes sociais não demonstraram uma relação estatisticamente significativa com o bem-estar psicológico. Isso sugere que é a qualidade das interações, e não apenas a presença delas, que pode estar relacionada à saúde mental, um dado que deve ser levado em consideração por profissionais de saúde e gestores envolvidos na elaboração de políticas voltadas para a terceira idade.
Quais implicações podem surgir a partir desses achados?
A pesquisa de Hossam Ali-Hassan reforça a necessidade de compreender como as diferentes ferramentas de comunicação digital impactam o bem-estar dos idosos. Compreender essas associações é fundamental para guiar políticas e práticas que promovam a saúde mental. As descobertas implicam que o incentivo ao uso de e-mails, por exemplo, pode ser uma estratégia benéfica, enquanto o uso de redes sociais deve ser abordado com cautela, especialmente considerando a saúde mental vulnerável dessa faixa etária.
Esse estudo não consegue estabelecer relações de causa e efeito, mas destaca a importância de políticas informadas por evidências científicas, como as orientações fornecidas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e a OMS, que alertam sobre o impacto das tecnologias na saúde. Assim, a exploração e a implementação de práticas que valorizem o uso positivo da tecnologia digital para os idosos não apenas apoiam a saúde mental, mas também podem ajudar a reduzir o isolamento social e promover uma qualidade de vida mais satisfatória.



