Vacina contra herpes-zóster reduz risco de demência em mulheres em 20%: Estudo

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Vacina contra herpes-zóster reduz risco de demência em mulheres em 20%

Novo estudo aponta que os benefícios do imunizante vão além da proteção contra o vírus causador da herpes-zóster. Há muito tempo cientistas desconfiavam que a herpes-zóster e a demência pudessem estar relacionadas. Agora, um estudo britânico publicado nessa quarta-feira (2/4), na revista Nature, traz evidências bastante convincentes disso, ao apontar que a vacina contra o vírus varicela-zóster protege principalmente mulheres da demência.

“A análise apresentada é o melhor trabalho publicado até agora sobre a relação entre uma infecção viral e o aumento do risco de demência”, avalia o neurobiólogo Martin Korte, professor decano da Faculdade de Ciências da Vida da Universidade Técnica de Braunschweig que não participou do estudo. Segundo ele, a pesquisa “fornece uma evidência convincente de que a vacinação contra DE não apenas protege contra uma doença muito dolorosa, mas também reduz significativamente o risco de demência”.

As conclusões dos cientistas se baseiam no acompanhamento, ao longo de sete anos, de dois grupos no País de Gales. Segundo eles, a vacinação de pessoas acima de 80 anos provavelmente explica a queda nos diagnósticos de demência. Nas mulheres imunizadas, o risco de desenvolver demência foi 20% menor. Nos homens, não foi constatado nenhum efeito significativo. Mas o estudo monitorou um único imunizante: o Zostavax, feito com uma versão ativa, mas enfraquecida e em pequena quantidade, do vírus. Só que a Zostavax tem menor eficácia, segundo um estudo americano, e por isso hoje a maior parte das pessoas são vacinadas com o Shingrix, um imunizante que não contém o vírus ativo em sua composição.

O vírus varicela-zóster pertence ao grupo dos vírus da herpes, que cientistas associam à demência. O agente infeccioso é o mesmo que também provoca a catapora (varicela), uma doença mais comum entre crianças, e que provoca febre e erupções cutâneas que coçam bastante. Quando o corpo humano se cura da catapora, os vírus restantes se refugiam nas células nervosas da medula. Ali, eles permanecem em estado inativo, mas podem “despertar” e se multiplicar anos depois, quando o sistema imunológico estiver enfraquecido. E é aí que surge a doença da herpes-zóster, também conhecida como cobreiro.

Os primeiros sintomas da herpes-zóster são mal-estar e febre. Posteriormente, surgem inflamações nos nervos, com prurido e fortes dores. As erupções cutâneas características da doença podem se manifestar em qualquer lugar do corpo, mas geralmente aparecem no tórax. Outras áreas mais comumente afetadas são pescoço, braços, pernas, rosto, olhos e orelhas. Muitas vezes, as lesões avermelhadas aparecem próximo à coluna vertebral e se espalham na horizontal, em direção à barriga, dando lugar a bolhinhas doloridas que coçam e se enchem de líquido, e que desaparecem cerca de cinco dias depois. A dor, contudo, pode persistir por mais dias.

Atualmente, a vacinação contra DE é indicada no Brasil para todas as pessoas a partir dos 50 anos, mas está disponível apenas na rede privada e não é coberta pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A vacina atenuada (Zostavax) é administrada em dose única, por injeção subcutânea. Já a vacina recombinante inativada (Shingrix), mais indicada para adultos imunocomprometidos ou com risco aumentado para DE, é administrada em duas doses, com intervalos de dois meses entre elas, por injeção intramuscular. O imunizante tem um custo elevado, podendo passar dos R$ 1 mil.

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