Vacina da dengue: Governo interrompe imunização devido a casos graves

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BRASÍLIA (DF) — O Instituto Butantan anunciou nesta segunda-feira (8) que manterá seu compromisso com a ciência e a saúde pública mesmo após a suspensão temporária da vacinação contra a dengue determinada pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A decisão foi tomada diante da identificação de três casos graves de reações adversas entre aproximadamente 500 mil doses aplicadas, incluindo duas mortes suspeitas que estão sob investigação. Em nota oficial, o instituto afirmou que continuará apoiando os órgãos federais, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando a farmacovigilância dos vacinados. A imunização estava em andamento desde o início de 2026 com foco exclusivo em profissionais de saúde, mas foi interrompida de forma preventiva como medida de segurança sanitária.

Investigação aponta reações inesperadas e mortes suspeitas

O anúncio da paralisação foi feito em coletiva de imprensa no início da tarde, com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e de representantes da Anvisa. Segundo o Ministério da Saúde, das 500 mil vacinas administradas, 42 casos de reações adversas graves foram registrados — o equivalente a 0,008% do total de imunizados. Desses, três foram considerados graves e dois evoluíram para óbito. As vítimas são uma mulher de 48 anos, que desenvolveu meningoencefalite 19 dias após a vacina, e um homem de 58 anos, que apresentou choque refratário cinco dias após a imunização. Um terceiro caso, de uma mulher de 39 anos, apresentou quadro grave de dengue com choque, mas se recuperou após internação em UTI. Os eventos não haviam sido previstos nos estudos clínicos que aprovaram a vacina, nem descritos na bula. O ministro Padilha destacou que, até o momento, não há dados suficientes para estabelecer causalidade entre a vacina e os óbitos, mas que a decisão foi consensual no Comitê de Farmacovigilância Nacional. O Butantan, por sua vez, reforçou que seguirá aprofundando as investigações para garantir a segurança dos próximos lotes. As reações adversas graves foram classificadas como “inesperadas” pelo governo, já que os ensaios clínicos com 16 mil voluntários acompanhados por cinco anos não haviam identificado eventos desse tipo.

Orientações para quem já tomou a vacina e próximos passos

A suspensão temporária afeta diretamente a campanha em andamento no DISTRITO FEDERAL e em outras regiões do país. Estados e municípios foram orientados a interromper imediatamente a aplicação das doses, enquanto os casos suspeitos são analisados por uma força-tarefa formada por Anvisa, Ministério da Saúde e Instituto Butantan. Para os profissionais de saúde que já receberam a vacina, especialmente nos últimos 21 dias, a recomendação é de acompanhamento rigoroso e atenção a sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Esses sinais podem indicar reações adversas graves e devem ser comunicados imediatamente aos serviços de saúde. O governo federal informou que acionará todos os estados para reforçar a busca ativa por possíveis efeitos adversos e ampliar a farmacovigilância. A Anvisa convocou um comitê de especialistas para conduzir a investigação epidemiológica em caráter prioritário. O Butantan reiterou que a vacina é a primeira do mundo em dose única e totalmente desenvolvida no Brasil, e que, caso a segurança seja confirmada, a vacinação poderá ser retomada. O instituto também declarou que continuará comprometido com a entrega de produtos seguros e eficazes para o enfrentamento da dengue no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), mantendo a transparência em todas as etapas do processo investigativo.

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