Mineiro que ficou tetraplégico após acidente com ônibus se recupera com apoio de voluntários: ‘Desistir nunca é opção’
No acidente, além dele, 29 pessoas ficaram feridas e duas morreram, entre elas uma mulher e uma criança em Varginha.
Varginhense que perdeu os movimentos após acidente com ônibus conta com solidariedade
Varginhense que perdeu os movimentos após acidente com ônibus conta com solidariedade
A história de superação de Mauro Ferreira, guia de viagens de Diário do Estado (MG), é marcada por esforço e solidariedade. Ele ficou tetraplégico após o tombamento de um ônibus na MGC-491, entre Varginha e Três Corações, em maio deste ano. No acidente, além dele, 29 pessoas ficaram feridas e duas morreram, entre elas, uma mulher e uma criança.
Mauro teve uma fratura em uma vértebra, que comprometeu os movimentos dos braços e das pernas.
> “Agora eu consigo olhar as horas. Antes eu não conseguia mexer os braços, porque como foi uma lesão muito alta, acabou atrapalhando um pouco os membros superiores. Mas com muita fisioterapia, os membros superiores já estão começando a trabalhar de novo”, contou Mauro.
Segundo a neurologista Lara Paiva, o varginhense sofreu um trauma raquimedular na região cervical. “Ele teve uma fratura na região cervical da vértebra de número C4. E isso provocou ali uma lesão na medula dele, que trouxe uma tetraplegia. Então ele perdeu os movimentos tanto dos membros superiores como inferiores.”
Conforme a família, os custos mensais com tratamento, remédios e curativos chegam a cerca de R$ 15 mil. Sem condições de arcar com todas as despesas, Mauro conta com a ajuda de voluntários.
Oito fisioterapeutas se revezam no atendimento gratuito. Entre eles, estão Aline Azevedo de Oliveira, que atua na parte respiratória e motora, e Pierre Bebiano, que acompanha os avanços de autonomia.
> “O simples fato de segurar uma colher, comer uma maçã, um pastelzinho, dá uma liberdade para ele e é como se tivesse feito pela primeira vez”, disse Pierre.
O fisioterapeuta Rodrigo Teixeira de Almeida destacou a evolução de Mauro na respiração e na voz. “No início, ele falava mais baixo e pausado. Agora consegue ter uma sustentação vocal bem maior.”
Além dos profissionais de saúde, Mauro também recebe apoio de amigos e da comunidade. A técnica de enfermagem Viviane de Fátima Silva participa dos cuidados diários, enquanto o atleta Saulo Rosa organiza campanhas para arrecadar mantimentos.
“Quando eu conheci ele pela primeira vez, eu falo que foi um tapa na cara em questão de superação. Você olha no olho dele e o olho dele está brilhando”, disse Saulo.
Apesar das limitações, Mauro mantém o otimismo.
> “Eu costumo dizer que desistir nunca é uma opção. Quando eu me vi sentado nessa cadeira, os médicos disseram que eu não iria andar mais. Eu disse que não me importava, porque às vezes é difícil aceitar o não. Mas eu sempre vejo que ainda existe uma luz no fim do túnel”, afirmou.
Hoje, além dos exercícios de fisioterapia, ele se dedica à música e canta sempre que pode.
No campo jurídico, a Justiça determinou que seja feita uma tentativa de acordo extrajudicial entre Mauro e as empresas envolvidas no acidente. Segundo a advogada da vítima, já houve encaminhamento da documentação e uma perícia na casa dele foi marcada para o dia 2 de setembro. Mauro recebe auxílio-doença temporário do INSS.
Em nota, a agência responsável pela excursão disse que já prestou auxílio, mas que é necessário um acordo com a seguradora. A reportagem também solicitou posicionamento da empresa de ônibus e da seguradora, mas não houve retorno.
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