Variante delta e CPI da Covid representam risco para Ibovespa

Últimos dados econômicos somam à aceleração de novas variantes na queda da Ibovespa; cenário político do Brasil no radar.

O Ibovespa enfrenta nesta quinta-feira (8) um dia de forte queda após a alta de 1,54% na véspera e a baixa de 1,44% na terça-feira. No radar, os investidores acompanham o exterior, com o aumento das preocupações em torno da retomada da economia global frente a disseminação da variante delta, que levou países da Ásia a retomarem medidas de restrição.

Segundo Bruno Komura, analista da gestora Ouro Preto, a disseminação da variante delta, que apresenta alto índice de transmissão e afeta muito os mais jovens, junto com os dados abaixo do esperado dos Estados Unidos, dão um indicativo para o mercado de que não estamos experienciando uma retomada sólida.

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“Ajuda no discurso do Federal Reserve de que a conjuntura ainda demanda medidas estimulativas, mas a economia vai se recuperar um pouco mais devagar. No Brasil, isso é pior, pois indica a necessidade de mais tempo de auxílio emergencial, o que bate diretamente no ambiente fiscal”, opina o analista.

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“O medo de que a variante Delta da Covid-19 cause novos lockdowns em muitos países faz com que investidores vendam ativos de risco, junto com preocupações com liquidez mundial”, disse o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, em comentário a clientes.

Por outro lado, em relatório, Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú, escreve que a variante delta do coronavírus e a condução da política monetária do Federal Reserve não devem promover uma disrupção na economia global.

“Países com largas fatias da população totalmente vacinadas irão provavelmente ter cenários similares ao do Reino Unido, onde o número de casos aumentou, mas as hospitalizações por Covid continuam baixas”, avalia. Nesse caso, o economista não enxerga tantos riscos econômicos, pois sem pressão sobre o sistema de saúde não há também necessidade de aumentar as restrições à mobilidade.

Enquanto isso, o ambiente político no país segue bastante tumultuado, com novos desenvolvimentos negativos para o governo na CPI da Covid e indicações de que o empresariado se opõe ao atual texto da reforma tributária, o que deve amplificar o efeito da aversão ao risco global, apontou o economista.

Na agenda dos EUA, o número de pedidos de auxílio-desemprego aumentou para 373 mil, segundo dados com ajustes sazonais publicados pelo Departamento do Trabalho americano.

Outra gigante da economia global também contribuiu para os maiores temores do mercado: autoridades chinesas sinalizaram que podem em breve injetar mais estímulo na economia, uma mudança de tom inesperada indicando que a recuperação mais rápida do mundo pode ser mais fraca do que parece.

Por aqui, atenção ainda para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho. Puxada novamente pela alta da energia elétrica, a inflação oficial no País subiu 0,53% em junho de 2021 na comparação com maio, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quinta-feira (8), representando uma desaceleração frente à alta de 0,83% de maio. Com isso, o indicador acumula alta de 3,77% no ano e 8,35% nos últimos 12 meses.

Na avaliação de João Leal, economista da Rio Bravo, o número deve levar o mercado financeiro a ver um menor espaço para uma alta da Selic de 1% na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em agosto.

CPI da Covid- Prisão de Roberto Dias

Em nota divulgada na noite de quarta (7), o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, e os comandantes das Forças Armadas repudiaram as declarações de Aziz. Eles afirmaram que as falas desrespeitam os militares e generalizam “esquemas de corrupção“. “As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às Instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro”, diz a nota.

Em plenário, o presidente Rodrigo Pacheco (DEM-MG) rendeu homenagens e disse nutrir respeito às Forças Armadas.
Também em plenário, Aziz afirmou que sua fala foi “pontual” e não foi “generalizada”, referindo-se, por exemplo, a Dias, ex-sargento da Aeronáutica, e a outros integrantes da pasta possivelmente envolvidos no suposto esquema de irregularidades.

O senador disse considerar a nota da Defesa “desproporcional” e cobrou de Pacheco uma posição mais incisiva para defender um senador. “Pode fazer 50 notas contra mim, só não me intimidem”, disse Omar. “Não aceito que intimidem um senador da República”, afirmou o senador.

Além disso, o presidente do Senado disse na quarta que, caso o Congresso aprove a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), permitindo que haja um recesso parlamentar neste mês, a CPI da Covid no Senado terá de paralisar seus trabalhos por causa do que Pacheco chamou de “imposição constitucional”.

A cúpula da CPI da Covid tem defendido que o colegiado, que apura a resposta do governo federal à pandemia de Covid-19, mantenha os trabalhos mesmo em um eventual recesso. Na sessão da comissão de quarta, o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), voltou a afirmar que o colegiado não pode parar os trabalhos por causa da urgência imposta pela pandemia, que já matou mais de 526 mil pessoas no Brasil.

Reforma tributária e PIB

Mais de 100 associações empresariais e entidades assinaram uma carta direcionada ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), divulgada na quarta-feira (7). Elas criticaram o que chamaram de pressa na tramitação da reforma tributária, rechaçaram pontos da proposta e argumentaram que o projeto desestimula a atração do investimento produtivo, prejudica a geração de empregos e dificulta o crescimento econômico.

Os signatários da carta criticaram o fim do desconto simplificado na declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, defendendo que os recursos que o governo deixará de perder deveriam vir de redução dos gastos públicos. Para as entidades, isso aumenta a urgência da reforma administrativa.

Em evento na Câmara na véspera, Guedes defendeu a tributação de dividendos como forma de reduzir os impostos pagos pelas empresas e pelos assalariados, ao comentar um dos pontos polêmicos da nova fase da reforma tributária enviada recentemente ao Congresso. Guedes argumentou que o Brasil é um país de renda baixa, em que 75% dos trabalhadores recebem menos de R$ 1.500 por mês.

Segundo reportagem do jornal O Globo, diante da resistência de empresários à reforma do Imposto de Renda, o Congresso já acena com mudanças no texto proposto pelo governo. Segundo o jornal, deputados se articulam para reduzir a alíquota de 20% proposta pelo Executivo, e subir a faixa de isenção de lucros para além dos R$ 20 mil mensais.

Fonte: InfoMoney

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