Exportação em alta. Em Venâncio Aires (RS) — Uma indústria local está movimentando a economia regional ao exportar uma média surpreendente de 460 mil quilos de erva-mate por mês para a Síria, atendendo à crescente demanda do mercado no Oriente Médio. A iniciativa reforça a vocação produtiva do agronegócio no interior gaúcho e consolida Venâncio Aires como referência nacional e internacional quando o assunto é a cultura da erva-mate.
A colheita da nova safra foi iniciada nesta semana pelas propriedades rurais que abastecem a principal ervateira do município, marcando o início de uma cadeia produtiva que envolve múltiplas etapas e emprega dezenas de trabalhadores. Conforme a direção da indústria, a logística inclui também a filial situada no Paraná, demonstrando a integração entre as regiões produtoras do sul do Brasil. O principal destino da produção internacional da unidade, no momento, é a Síria, mercado que exige padrões próprios de qualidade, cor e sabor, diferentes dos estipulados para o consumidor brasileiro.
De acordo com os gestores da fábrica, todo o processo de transformação da erva verde até o transporte envolve técnicas industriais avançadas, além de rígido controle sanitário. O produto final que chega aos sírios é resultado de um beneficiamento particular, iniciado pelo chamado sapeco e finalizado pelo estoque de maturação, garantindo características ideais ao paladar do Oriente Médio. Segundo a empresa exportadora, a erva-mate local também vem ultrapassando fronteiras, conquistando espaços não só na América do Sul, como também no leste europeu, a exemplo da Polônia.
Qual é o diferencial da erva-mate exportada por Venâncio Aires (RS)?
O tradicional sabor da erva-mate gaúcha conquista desde as cidades vizinhas até consumidores do outro lado do oceano. Para atender ao exigente mercado internacional, sobretudo na Síria, a indústria de Venâncio Aires realiza uma série de adaptações no modo de preparo e beneficiamento do produto. Conforme apurado pela equipe do Diário do Estado do RS, a erva-mate destinada à exportação possui folhas mais grossas, coloração pálida e sabor intenso, se distanciando do padrão consumido tradicionalmente no Brasil, que apresenta moagem mais fina.
O processo de sapeco, realizado na filial do Paraná, é fundamental para interromper rapidamente o processo enzimático da planta, garantindo qualidade ao produto final. Esta etapa dura cerca de 15 minutos e antecede a secagem, que pode variar entre 45 minutos e 3 horas, dependendo do maquinário à disposição. Após o cancheamento — uma espécie de trituração inicial — a erva segue para o Rio Grande do Sul, onde passa por seleções específicas conforme o mercado de destino, como explicou o coordenador de inovação da fábrica.
Em Venâncio Aires, o controle do teor de talos e folhas é feito em misturadores industriais que garantem lotes com características uniformes, conforme as exigências da Síria, Argentina e outros países compradores. O produto só é envasado após passar por uma estocagem de maturação, que leva de oito a doze meses. De acordo com especialistas da própria empresa, esse processo proporciona o aroma e o sabor mais intenso, bastante valorizados pelos consumidores sírios.
Por que a erva-mate do Rio Grande do Sul faz tanto sucesso no Oriente Médio?
O consumo de erva-mate é parte fundamental da cultura no sul do Brasil, mas também tem profunda tradição no Oriente Médio. Na Síria, a bebida é conhecida como “chimarrão à síria” e faz parte de momentos familiares e rituais sociais. Por isso, segundo a tag do RS, o envio de 460 mil quilos mensais de Venâncio Aires acompanha uma demanda histórica por este tipo de bebida naquela região do mundo, especialmente após mudanças socioeconômicas desde a última década.
Segundo dados do Ministério da Agricultura, a Síria figura entre os maiores importadores de erva-mate em escala global, principalmente pelo padrão argentino/brasileiro de folha grossa, diferenciando do produto consumido por aqui. Na prática, o hábito cultural sírio é de não compartilhar a mesma cuia, como ocorre no Rio Grande do Sul: no país árabe, cada pessoa utiliza sua cuia individual, apenas compartilhando a água fervida. Essa variação também demanda adequações em embalagens e lotes exportados.
A equipe de jornalismo do Diário do Estado apurou que as exportações de erva-mate também refletem acordos comerciais recentes intermediados por entidades nacionais. Segundo o setor de Justiça e Comércio Exterior, os contratos de venda direta e a abertura de linhas para pequenos e médios produtores contribuíram para a manutenção do fluxo durante períodos de instabilidade internacional. Em cenários locais, a alta nas exportações é vista com otimismo por agricultores e funcionários da Região dos Vales, que já projetam investir em tecnologia e ampliar a área plantada para os próximos anos.
Quais outros mercados internacionais são atendidos por Venâncio Aires (RS)?
Além da Síria, a indústria de Venâncio Aires diversificou suas exportações e já atinge países como Polônia, Chile, Uruguai e Paraguai. Os dados mais recentes, de acordo com o portal estatístico do RS, mostram que aproximadamente 25% da produção anual da ervateira já é direcionada ao comércio exterior.
Para Argentinos e Uruguaios, o gosto pela bebida se assemelha ao vivido no Rio Grande do Sul, embora também existam variações: no país vizinho, a preferência é por uma mistura de erva mais madura e moagem intermediária, ao passo que os chilenos têm uma demanda recente, em expansão principalmente entre jovens. Já os embarques para a Polônia surpreendem gestores, que veem no mercado leste europeu uma oportunidade estratégica para a diversificação da carteira de clientes.
Para a redação do Diário do Estado, este caso evidencia como a agricultura do sul do Brasil é importante para o mercado global de produtos naturais e bebidas tradicionais. O setor da erva-mate gaúcha se consolida como case de sucesso no Brasil, aliando tradição familiar, inovação tecnológica e poder de negociação internacional — cenário que outros polos produtores de ervas e orgânicos pretendem espelhar ao longo desta década.
Como funciona a economia local de Venâncio Aires (RS) com a exportação da erva-mate?
Conforme informações do Instituto Gaúcho do Agronegócio, os investimentos na cadeia produtiva de erva-mate em Venâncio Aires resultam em geração de emprego direto para mais de 400 trabalhadores durante a safra, sem contar o impacto indireto ao comércio, transportadoras e prestadores de serviço. Os recursos provenientes dos contratos com países como Síria e Polônia movimentam ainda o setor de máquinas, embalagens e insumos agrícolas — um efeito que se reflete nas pequenas cidades vizinhas do Vale do Rio Pardo.
Para produtores como o agricultor João Almeida, de Linha Travessa, a valorização do produto e o acesso a tecnologias na indústria foram fundamentais para superar períodos de crise, como as enchentes do ano passado ou desafios fitossanitários que afetaram a região. “Hoje, temos orgulho de ver o nome do Rio Grande do Sul em sacas que cruzam o oceano”, afirma. Conforme levantamento do governo estadual, a renda extra obtida com as exportações é investida em educação rural e mecanização, ampliando o ciclo virtuoso do agronegócio local.
A expectativa é que, até o final deste ano, a indústria de Venâncio Aires alcance novos mercados asiáticos, aumentando o volume de exportação em até 15%. O protagonismo da erva-mate no Rio Grande do Sul acompanha uma tendência nacional de valorização de bebidas tradicionais e ampliação de acordos bilaterais no setor agroindustrial, conforme avaliações recentes do Ministério do Desenvolvimento.
Nossa equipe esteve em Venâncio Aires, conversou com trabalhadores, produtores e representantes da indústria, além de acompanhar cada etapa do beneficiamento da erva-mate até seu envio para a Síria. A redação do Diário do Estado seguirá acompanhando as movimentações da exportação regional e trará atualizações sobre o impacto destes contratos na vida econômica e social da região sempre que surgirem novas informações oficiais.



