Venezuelanos em Manaus sentem esperança após prisão de Maduro: o que esperar para o futuro dos refugiados?

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Esperança, medo e incerteza: captura de Maduro repercute no Amazonas, 2º estado com mais venezuelanos no país

Episódio reacendeu a possibilidade de mudanças no país e levantou questionamentos sobre o futuro de milhares de refugiados que deixaram a Venezuela nos últimos anos.

Venezuelanos em Manaus sentem esperança após prisão de Nicolás DE
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Venezuelanos em Manaus sentem esperança após prisão de Nicolás DE

A manhã de sábado (3), foi marcada por sentimentos mistos de esperança e cautela entre venezuelanos que vivem em Manaus
[https://DE.globo.com/am/amazonas/cidade/manaus/] após a notícia da captura do presidente da Venezuela, Nicolás DE
[https://DE.globo.com/mundo/noticia/2026/01/03/trump-diz-que-maduro-foi-capturado.ghtml]. O episódio reacendeu a possibilidade de mudanças no país e levantou questionamentos sobre o futuro de milhares de refugiados que deixaram a Venezuela nos últimos anos.

A captura de Nicolás DE ocorreu após uma ofensiva militar dos Estados Unidos na madrugada deste sábado. Houve explosões em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira. Além do presidente, a primeira-dama Cilia Flores também foi capturada. A fronteira da Venezuela com o Brasil, em Pacaraima (RR), chegou a ser fechada, mas foi reaberta ainda durante a tarde.

A cozinheira Luiza Maria Villa Fana, de 35 anos, foi acordada ainda de madrugada pelo filho mais novo, de 11 anos, com a notícia que rapidamente se espalhava entre familiares e amigos.

> “Ele me chamou dizendo: ‘mamãe, capturaram DE’. Eu pensei que fosse brincadeira, mas ele estava muito feliz, dizendo que agora ia melhorar e que a gente podia voltar. Quando acordei, por volta das 6h, vi as notícias e minha família inteira já estava me ligando”, contou.

Luiza mora com os três filhos na Zona Leste de Manaus. Formada em Administração de Empresas, ela deixou a Venezuela em 2019 para fugir da crise econômica e da falta de alimentos.

> “A crise estava muito forte. O salário já não dava para nada, principalmente para comprar comida. Lá a gente não paga aluguel, nem água, nem luz, mas o problema era a comida. Não dava mesmo”, relatou.

Mesmo diante da mudança no cenário político, Luiza afirma que não pensa em retornar à Venezuela neste momento. Ela diz que prefere seguir construindo a vida no Brasil.

> “Meu sonho é que meus filhos se formem e tenham um futuro melhor. Eu me formei, mas foi muito difícil, ainda mais depois que vim para cá. Quero que eles tenham oportunidades e uma vida melhor”, concluiu.

2º ESTADO BRASILEIRO COM MAIOR CONCENTRAÇÃO DE VENEZUELANOS

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, o Amazonas é o segundo estado brasileiro com maior concentração de venezuelanos, com 30.868 imigrantes. Roraima lidera o ranking, com 59.163 pessoas.

Especialistas alertam que o cenário político instável pode, inicialmente, aumentar o fluxo migratório. De acordo com o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Américo Lyra, o momento ainda é de incerteza.

> “A possibilidade maior é de um fluxo migratório mais consistente de fuga do país, principalmente pelo medo da instabilidade. Economicamente, a tendência é de um grande desequilíbrio, ainda mais diante do que foi anunciado pelos Estados Unidos sobre uma transição política que ninguém sabe ao certo como será”, explicou.

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