Vereador eleito é preso após atropelar e matar idoso em calçada no PR
A Câmara de Vereadores de Guarapuava, na região central do Paraná, decidiu não afastar, por enquanto, o vereador Kenny Rogers (MDB), condenado por dirigir embriagado e matar um idoso atropelado. A decisão contraria um pedido do Ministério Público Eleitoral, que solicitava o afastamento imediato por quebra de decoro parlamentar.
A medida foi tomada na segunda-feira (16) pelo Conselho de Ética da Câmara. O colegiado optou por abrir prazo para que o vereador apresente defesa antes de qualquer decisão sobre o mandato.
Kenny Rogers, conhecido politicamente como “Kenny do Cartório”, foi condenado em janeiro a 7 anos, 5 meses e 24 dias de prisão, em regime semiaberto. Ele responde em liberdade e segue no cargo.
O atropelamento aconteceu em dezembro de 2024
O atropelamento aconteceu em dezembro de 2024, poucos dias antes da posse como vereador. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento do acidente. Após atingir o idoso, o carro dirigido por Kenny bateu em um barranco e capotou.
Segundo o Ministério Público Eleitoral, o vereador violou o regimento interno da Câmara ao dirigir sob efeito de álcool, causar a morte da vítima e não prestar socorro. Para o órgão, a conduta fere o decoro parlamentar e justificaria o afastamento imediato.
Ministério Público Eleitoral pede afastamento de vereador de Guarapuava
Na época do atropelamento, o político foi preso em flagrante, mas foi solto menos de 48 horas depois e respondeu a todo o processo em liberdade. Relembre detalhes mais abaixo.
O vereador Kenny do Cartório foi julgado em 22 de janeiro de 2026 e, seis dias depois, o Ministério Público Eleitoral enviou um ofício à Câmara de Guarapuava pedindo que o vereador fosse afastado. No documento, o órgão também solicitou que fosse instaurada uma comissão de ética e decoro parlamentar, visando a cassação do mandato dele.
RELEMBRE O CASO
O atropelamento aconteceu no final da tarde de 21 de dezembro de 2024, um sábado, na Avenida Vereador Rubem Siqueira Ribas. Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), Kenny Rogers estava dirigindo embriagado, em alta velocidade e com a CNH cassada, quando avançou na calçada e atingiu José Maceno de Almeida, de 82 anos.
De acordo com a polícia, o carro no qual Kenny estava tentando fugir era o de outra vereadora da cidade. Ela fechou um acordo com o MP-PR para não responder criminalmente pelo caso.
QUEM É O VEREADOR
Kenny Rogers Gonçalves Anacleto tem 34 anos e, segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), possui ensino médio completo, é empresário e casado.
Kenny do Cartório, como se identifica nas urnas, foi diplomado no dia 16 de dezembro de 2024 para assumir o cargo no Legislativo Municipal a partir de janeiro de 2025.
O QUE DIZ A CÂMARA DE GUARAPUAVA
Veja, abaixo, a íntegra da nota da Câmara Municipal de Vereadores de Guarapuava:
“A Mesa Executiva da Câmara de Guarapuava, no uso de suas atribuições legais e regimentais, vem a público comunicar que, na tarde desta terça-feira, dia 03 de março de 2026, foi assinado o Ato da Mesa Executiva determinando o encaminhamento de expedientes ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, para fins de apuração das condutas relacionadas ao Vereador Kenny do Cartório.
O referido encaminhamento foi realizado para apurar as condutas relacionadas ao Vereador Kenny do Cartório, conforme a sentença condenatória de primeiro grau proferida nos autos, a fim de que todos os documentos tramitem de forma conjunta.
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar procederá à devida instrução do feito e realizará a análise dos elementos apresentados, em conformidade com as disposições do Regimento Interno da Casa Legislativa e da legislação aplicável à matéria.
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, atualmente composto pelos parlamentares Gilson da Ambulância, Vardinho e Ike Silvestri, é responsável pela apreciação das questões atinentes ao decoro e à conduta dos membros do Poder Legislativo Municipal, reafirmando o compromisso com a transparência e o estrito cumprimento das normas que regem a conduta parlamentar.”
O QUE DIZ A DEFESA DO VEREADOR
Veja, abaixo, a íntegra da nota de Marinaldo Rattes, advogado do vereador:
“Entende a defesa que, nos termos do artigo 92 do Código Penal e da jurisprudência dos Tribunais Superiores, somente é possível a perda do cargo ou da função pública mediante sentença condenatória com trânsito em julgado.
No caso em debate, houve sentença condenatória, a qual impôs o regime semiaberto, de modo que o STF possui entendimento de que somente poderia haver a cassação antes do trânsito em julgado da sentença condenatória se a pena fixada fosse em regime fechado e o vereador estivesse preso, sem poder participar das sessões da legislatura. Por fim, o ofício enviado pelo Ministério Público não tem força determinativa, pois não houve decisão judicial que determinasse a perda do mandato ou a suspensão do seu exercício.”



