A Polícia Civil do Rio divulgou uma nota, no início da tarde desta sexta-feira (13), a respeito da prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD) por indícios de ligação com o Comando Vermelho. Segundo a corporação, além dos diálogos em que o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, e um homem identificado como síndico da Gardênia que citam o nome do vereador, os investigadores dizem ter localizado transações financeiras consideradas suspeitas envolvendo Salvino, que somam mais de R$ 100 mil, incluindo 11 depósitos feitos em dinheiro vivo.
Segundo a polícia, as investigações também identificaram movimentações consideradas suspeitas envolvendo empresas que têm como sócio o principal assessor de Salvino.
Segundo a polícia, a esposa desse assessor aparece como possível figura central de uma estrutura usada para lavagem de dinheiro. De acordo com a investigação, em 7 meses ela teria realizado mais de 20 saques em espécie que somam cerca de R$ 2,5 milhões, muitos deles em dias consecutivos. Além disso, uma empresa registrada em seu nome movimentou mais de R$ 35 milhões em pouco mais de 2 anos, valor considerado incompatível com o faturamento declarado, de cerca de R$ 2 milhões.
A TV Globo entrou em contato com a Prefeitura do Rio e com a defesa de Salvino e aguarda um posicionamento.
Nesta sexta, a defesa do vereador entrou com um pedido de habeas corpus, que ainda não foi apreciado pela Justiça.
PRISÃO MANTIDA
Na quinta (12), uma audiência de custódia manteve a prisão do vereador. O juiz Otávio Hueb Festa entendeu que o mandado de prisão temporária estava dentro da validade e que não houve ilegalidade na prisão e, por isso, manteve a prisão.
Salvino foi preso nesta quarta-feira (11) em uma operação da Polícia Civil. O delegado Vinicius Miranda, titular da Delegacia de Combate ao Crime Organizado do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro, afirmou que a prisão de Salvino foi solicitada após a polícia encontrar uma “série de indícios” de ligação dele com o Comando Vermelho.
Sem citar as provas, o delegado afirmou que “maiores detalhes serão apurados na investigação”.
Miranda explicou ainda que novos detalhes devem surgir a partir das buscas realizadas nesta quarta-feira (11), incluindo a análise de documentos e do celular apreendido. De acordo com ele, o material pode ajudar a estabelecer de forma mais precisa a relação do vereador com a organização investigada.
Nas redes sociais, o governador Cláudio Castro afirmou que Salvino é o “braço direito do Comando Vermelho dentro da Prefeitura do Rio”.
O vereador negou todas as acusações.
OPERAÇÃO
A entrevista coletiva foi dada para falar sobre a Operação Contenção Red Legacy, deflagrada nesta quarta-feira (11) contra a estrutura nacional do Comando Vermelho (CV).
Agentes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) saíram para cumprir, no total, 13 mandados de prisão. Até a última atualização desta reportagem, 7 pessoas haviam sido presas, e 4 alvos já estavam encarcerados.
Entre os presos nesta quarta estão 6 PMs e o vereador. Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mulher de Márcio Gama dos Santos Nepomucemo, o Marcinho VP, e mãe de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, é considerada foragida. Outro procurado era Landerson Lucas dos Santos, sobrinho de Marcinho VP.
ACUSAÇÕES CONTRA SALVINO
No pedido de prisão, a Polícia Civil afirma ter identificado “tentativas de interferência política em áreas dominadas pelo tráfico”, com o objetivo de transformar esses territórios em bases eleitorais.
Segundo a corporação, as investigações indicam que o vereador Salvino Oliveira teria buscado autorização do traficante Doca para fazer campanha na comunidade da Gardênia Azul, área dominada pelo Comando Vermelho.
Entre as provas apresentadas está a imagem de uma conversa no WhatsApp que mostraria um diálogo entre um comparsa conhecido como Dom e Doca.
Logo depois da troca de mensagens, Doca liga para Dom, e os dois permanecem ao telefone por mais de 11 minutos. Segundo a polícia, Dom atuava como elo entre o núcleo operacional do Comando Vermelho e agentes externos, incluindo policiais.
QUIOSQUES EM CONTRAPARTIDA, SEGUNDO A INVESTIGAÇÃO
O QUE DIZ SALVINO
salvino negou qualquer ligação com o traficante doca, afirmou não ter envolvimento com a instalação de quiosques na gardenia azul e disse não conhecer o sobrinho do traficante marcinho vp
estou sendo vítima de uma briga política que não é minha, declarou
SingleNota da Câmara de Vereadores do Rio
A Câmara do Rio acompanha o desenrolar dos fatos e se coloca à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.
O Legislativo municipal reafirma sua confiança no trabalho das instituições e no devido processo legal.




