Em áudio, vice-presidente do Fluminense defende Mário como CEO de futura SAF
Mattheus Montenegro cita gestão do Tricolor antes de 2019 para defender atual mandatário
Dois áudios do vice-presidente geral do Fluminense, Mattheus Montenegro, viralizaram nas redes sociais nesta quarta-feira. Neles, ele explica como a direção conduz o processo de implementar a SAF no Tricolor e defende que Mário Bittencourt, atual presidente, assuma como CEO da futura empresa.
O site de esportes procurou o vice-presidente do Flu. Em contato com a reportagem, Montenegro informou que mandou os áudios a um amigo e deu a autorização para que fossem compartilhados.
São pouco mais de cinco minutos de Montenegro comentando uma nota publicada por Lauro Jardim no jornal O Globo (leia nota oficial do Fluminense abaixo). No ocasião, o jornalista revelou valores que seriam cobrados para a venda da SAF, um processo que é conduzido pelo Banco BTG.
— Deixa eu te explicar. O banco, como já falamos algumas vezes, está no mercado buscando propostas de investidores. Tem a indicação de um interesse. Essas coisas que saem na imprensa, são coisas que o banco está conversando com os investidores, mas não temos sinalização firme do que vai acontecer. Tem muita gente se aproveitando para falar bobagem — iniciou Montenegro.
— A nota diz que teria um aporte de R$ 500 milhões, e o valuation de R$ 850 (milhões). Só que essa operação não faz sentido, porque ele fez uma regra de três. Só que a verdade é que faz toda diferença na operação a assunção da dívida. O investidor assume a dívida ou não. Qual o investimento mínimo em folha e aquisição de atleta? Qual o repasse para clube social e esporte olímpico? Qual o investimento mínimo na base? — seguiu o dirigente.
Sobre Mário Bittencourt, Montenegro defendeu a permanência do atual presidente como CEO do Fluminense e citou o que considera uma evolução financeira e administrativa do clube desde o início da gestão do dirigente.
— Em relação à parte do Mário, isso não foi sequer discutido. É normal que se tenha essa pergunta, se a administração fica ou sai. Mas isso nunca foi dito para nós em lugar nenhum. Como é ano eleitoral, alguns estão com interesses pessoais e políticos, tentando criar um caos. Tenho certeza de que, quando a gente puder, vamos fazer um amplo debate. Não vai ter correria.
Se a gente quisesse fazer correndo, a gente fazia depois da Libertadores. Estamos fazendo agora porque é um processo cauteloso. Segundo, qualquer pessoa que fizer a aquisição vai cogitar a manutenção do Mário. E, se dependesse de mim, seria ele. Olha o que o clube era em 2019 e olha o que é hoje. Olha a receita, olha o equacionamento da dívida, os salários em dia, ganhar título… Tem muitas críticas que são feitas com relação a coisas pessoais. Mas, se olhar o clube antes e depois da gestão, é incomparável. Se eu fosse um possível investidor, eu deixaria o Mário. Ele (investidor) pode escolher quem quiser.
Em dezembro do ano passado, em entrevista coletiva, Mário não descartou assumir como CEO de uma futura SAF:
– Se o investidor achar que eu mereço e tenho condições por estar aqui há 25 anos, pode ser que eu aceite, qual o mal nisso? Como aconteceu no Fortaleza, como aconteceu no Atlético-MG. Importante é a torcida saber que essa decisão não é minha. Me sinto totalmente capaz para ser CEO do Fluminense ou de qualquer outro clube. Faço uma gestão com erros e acertos, mas na minha opinião melhorei muito o clube. Meus interesses pessoais nunca estiveram na frente do Fluminense e não estarão. Se amanhã o investidor comprar e disser que eu não vou ser nada, vou voltar para a arquibancada com as minhas filhas.
A diretoria do Fluminense convocou uma reunião com o Conselho Deliberativo para tratar de assuntos importantes do clube. Em especial, o tema SAF. Foi marcada para abril um encontro para trazer atualizações sobre o processo de constituição da Sociedade Anônima do Futebol e também informar sobre questões referentes ao Mundial de Clubes.
A NOTA OFICIAL DO FLUMINENSE
O Fluminense Football Club reafirma que o Banco BTG Pactual vem conduzindo conversas com potenciais investidores, com o objetivo de receber uma proposta formal de investimento no clube.
Até o momento, não houve qualquer manifestação oficial de interesse. Portanto, especulações sobre valores, estruturas ou termos de uma eventual transação não podem ser confirmadas ou negadas, nem pelo clube, nem por seu assessor financeiro.
Caso uma proposta formal venha a ser apresentada, ela será submetida a uma análise criteriosa, considerando não apenas o aporte financeiro inicial, mas também aspectos como a eventual assunção de dívidas, investimentos anuais no futebol, repasses que garantam a sustentabilidade do Clube Social e dos Esportes Olímpicos, regras de governança da nova entidade, entre outros elementos relevantes.
O Fluminense reitera seu compromisso com a transparência e informa que, tão logo uma proposta formal seja recebida, seus detalhes serão apresentados aos Conselhos Diretor, Deliberativo e Fiscal, bem como divulgados publicamente aos sócios e torcedores. Ao final, conforme determina a governança do clube, caberá à Assembleia Geral deliberar sobre sua aprovação.
Adicionalmente, esclarecemos que não houve qualquer proposição oficial ao presidente Mário Bittencourt sobre propostas relacionadas à SAF. As especulações que circulam são compreensíveis, dada a relevância do tema e o fato de que, em qualquer processo de aquisição, é natural que haja discussões sobre a permanência ou não da atual gestão.
Em linha com o compromisso de transparência, está agendada para o dia 14 de abril uma reunião com o Conselho Deliberativo, ocasião em que será apresentado um panorama atualizado do processo até aqui. Por fim, o Fluminense destaca que vem desenvolvendo este tema há cerca de dois anos, com o apoio do BTG Pactual, sempre de forma responsável e em busca da melhor solução para o clube.