Vigilância Sanitária encontra 140 escorpiões no 5º Batalhão da PM de Londrina: medidas tomadas.

Vigilância Sanitária encontra 140 escorpiões no 5º Batalhão da PM de Londrina: medidas tomadas.

LONDRINA (PR) — Uma operação da Vigilância Sanitária no 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina, no norte do Paraná, resultou na coleta de 140 escorpiões em duas vistorias noturnas realizadas ao longo do mês de maio. Apesar do número expressivo de aracnídeos encontrados, não há registros de picadas em policiais, servidores ou animais que circulam pelo quartel. A corporação foi notificada e possui um prazo de 30 dias para implementar medidas que interrompam a proliferação dos animais no local.

Vistorias noturnas revelam foco de proliferação dentro do batalhão

As inspeções foram conduzidas pela equipe da Vigilância Ambiental durante a noite, período de maior atividade dos escorpiões. Na primeira vistoria, 74 exemplares foram capturados; na segunda, mais 66. De acordo com o gerente do setor, Nino Medeiros Ribas, a ação foi motivada por denúncias de servidores que relataram a presença constante dos animais nas dependências. O batalhão está localizado próximo a uma área residencial e a um terminal de transporte coletivo, o que pode favorecer o deslocamento dos aracnídeos.

Os escorpiões foram localizados em rachaduras nas paredes, madeiras acumuladas, restos de poda e caixas de passagem — compartimentos que abrigam conexões de fios e tubulações. Todos os animais coletados foram encaminhados para análise taxonômica, a fim de confirmar a espécie predominante, que, segundo indícios iniciais, é o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), responsável pelos acidentes mais graves no país.

Orientações técnicas e ações corretivas já em andamento

A Vigilância Sanitária emitiu uma série de recomendações técnicas para a PM, incluindo a vedação de rachaduras, instalação de telas milimétricas, protetores de portas e válvulas de retenção em tubulações, além da limpeza periódica do terreno. Também foram instalados abrigos artificiais para reduzir a incidência dos escorpiões enquanto as obras corretivas não são concluídas.

O capitão da PM Emerson Castro informou que as medidas já foram adotadas. “Tem uma medida profilática definida pela vigilância, que é o recolhimento dos entulhos. Apesar de termos uma rotina de dedetização frequente, sabemos que esses aracnídeos são imunes ao veneno comum. O que resolve são ações estruturais: eliminar frestas, buracos e, principalmente, entulhos. Os que existiam já foram removidos após a conclusão de uma obra, mas ainda precisamos finalizar a reforma do canil”, explicou o oficial.

Biólogo explica alta capacidade reprodutiva do escorpião-amarelo

Leandro Ranucci, coordenador de Biologia EAD da Universidade Cesumar (Unicesumar), analisou o caso e destacou que a concentração de 140 escorpiões em um curto intervalo indica a existência de um foco reprodutivo muito próximo. Segundo o especialista, o escorpião-amarelo se reproduz por partenogênese — ou seja, a fêmea não precisa de macho para gerar descendentes. “Uma única fêmea pode produzir até 160 filhotes ao longo da vida, com gestações que geram de 15 a 20 filhotes a cada três meses. Os filhotes atingem a fase adulta em cerca de 10 meses”, detalhou.

Ranucci também orientou a população sobre os cuidados necessários ao encontrar escorpiões. É recomendado acionar a vigilância ambiental do município, vedar frestas em portas e rodapés, manter quintais limpos, controlar baratas (principal alimento dos escorpiões) e usar luvas e calçados fechados ao mexer em entulhos. O uso indiscriminado de inseticidas é contraindicado, pois a maioria não elimina os aracnídeos e pode dispersá-los. Em caso de picada, a orientação é lavar o local com água e sabão, procurar atendimento médico imediato e, se possível, levar o animal ou uma foto para identificação. Não se deve aplicar torniquetes, gelo ou receitas caseiras.

A Vigilância Ambiental de Londrina informou que, até esta quinta-feira (11), já recebeu mais de 1,3 mil notificações sobre escorpiões na cidade e registrou 234 casos de picadas em 2026. Denúncias e informações podem ser repassadas pelo telefone (43) 3372-9407.

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