Vigilante evita sequestro de recém-nascido em hospital: detalhes da ação

A vigilante responsável pela ação é Késia Florência Verneque (foto em destaque), de 47 anos. Nessa quarta-feira (8/4), ela concedeu uma entrevista ao DE e relatou, em detalhes, sobre o acontecimento que ficará marcado na sua trajetória profissional.

O incidente ocorreu no início da tarde do dia 28 de março, por volta das 13h30. A vigilante estava em seu posto fixo, um local estratégico por onde passam as mães que recebem alta para a maternidade.

Késia notou uma movimentação atípica. Uma funcionária do hospital saiu do centro obstétrico carregando um “volume” coberto por uma manta. “Achei estranho, porque a gente que trabalha no hospital conhece qualquer tipo de material. Tudo o que sai ali tem que ter um registro, algum documento”, relatou a vigilante em entrevista.

A atuação precisa da vigilante

Ao notar que a técnica caminhava sozinha, sem a presença dos pais ou da equipe médica — o que contraria o protocolo padrão de transporte de bebês no hospital —, a vigilante decidiu intervir. Mesmo sendo chamada repetidamente pela segurança, a colaboradora não parou de imediato, percorrendo alguns metros pelo corredor antes de finalmente ser confrontada.

A mãe do bebê só tomou conhecimento do risco que o filho correu no momento de sua alta hospitalar. A vigilante, que chegou a visitar a família posteriormente, destacou a importância do treinamento contínuo e da atenção redobrada em ambientes hospitalares.

Apesar de ser nova na área de vigilância, Késia atribui o sucesso da ação a sua postura resiliente e ao “olho de águia”. “O nosso trabalho é muito intenso. Se você fechar o olho por 30 segundos, muita coisa passa”, alertou.

Repercussão e protocolo de segurança

A repercussão entre os colegas de trabalho também foi positiva, e a profissional sente que cumpriu seu dever de proteger não apenas o patrimônio, mas vidas. “Se eu não tivesse intercedido, quantas famílias estariam destruídas junto com aquela mãe ali?”, argumenta.

A atenção da vigilante é tão aguçada que ela criou um protocolo de segurança que passou a ser adotado no setor obstétrico do hospital. “A gente tira foto da pulseirinha de entrada da mãe e do neném, para não ter erros. E a gente confere se a numeração é mesma. Só assim é autorizada a saída. E toda entrada é registrada também no nosso livro”, conta.

Câmeras flagraram a ação suspeita

Câmeras de segurança do hospital registraram Eliane Borges Tavares Dias Vieira, de 44 anos, tentando sequestrar o bebê que havia nascido há poucas horas. As imagens também mostram o momento em que a técnica é contida pela funcionária da segurança, que suspeitou da atitude da mulher.

Eliane foi filmada carregando o bebê no colo, enquanto circulava dentro do hospital. Na primeira gravação, a técnica de enfermagem é vista caminhando por um dos corredores da unidade de saúde. Ela aparece, inclusive, virando de costas e olhando para um grupo de pessoas ao passar no trajeto.

Ao perceber a movimentação suspeita da técnica de enfermagem, a vigilante corre atrás da mulher e consegue interceptá-la antes que ela se dirija à saída do hospital. Nesse momento, a profissional é contida e aparece retornando para a ala de obstetrícia com o recém-nascido e acompanhada pela funcionária da segurança.

Atuação da empresa de segurança

A Brasília Segurança é responsável pela vigilância do Hospital Regional de Santa Maria, bem como de outras unidades da rede do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (Iges-DF) e da Secretaria de Saúde (SES-DF).

De acordo com o diretor operacional, Orlando Cassaro, o sucesso da operação é fruto de um modelo de gestão que combina humanização, treinamento rigoroso e um parque tecnológico de ponta.

“O treinamento, a expertise e a sensibilidade de Késia em ter visto uma mulher saindo com um bebê no colo e ter ido atrás para tomar a providência foi fator de sucesso total para a solução do problema. Mas eu coloco que dificilmente essa funcionária sairia com essa criança do edifício hospitalar”, afirma Cassaro.

Equipamentos tecnológicos e segurança

Além do preparo técnico dos profissionais, a segurança conta com uma gama de equipamentos tecnológicos que monitora cada movimento nas unidades de saúde. A empresa gerencia quase 15 mil câmeras integradas a sistemas inteligentes.

Como é impossível monitorar tantas telas simultaneamente, o sistema utiliza sensores e analíticos de vídeo que geram alarmes automáticos caso alguém transite em locais ou horários não permitidos, acionando imediatamente a central de comando.

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