Uma vítima recentemente denunciou ter sido alvo de montagens com fotos manipuladas por uma inteligência artificial no antigo Twitter, agora conhecido como X. A jornalista Julie Yukari teve sua imagem editada para aparecer nua, após diversos perfis pedirem essa manipulação ao Grok, a inteligência artificial da plataforma. A situação foi registrada na 10ª DP (Botafogo), onde Julie relatou que, ao se deparar com as imagens manipuladas, teve o desejo de sumir da internet.
“Quis sumir e apagar todas as minhas fotos e redes sociais”, compartilhou Julie Yukari em entrevista ao DE. Após conversar com sua família e sua advogada, ela decidiu registrar um boletim de ocorrência pela utilização não autorizada de sua intimidade sexual. Em meio ao processo, Julie revelou que os crimes continuam acontecendo: “Fiz o registro online, já que estou no interior do Rio, mas pretendo ir pessoalmente para adicionar mais perfis que seguem manipulando minhas fotos”, afirmou a vítima.
Nos pedidos feitos à inteligência artificial Grok, presente no X, os perfis solicitavam que Julie aparecesse em poses sensuais, com microkini e até mesmo sem roupa. Todos os solicitantes dessas montagens pornográficas são anônimos ou fakes, segundo Julie, e frequentemente postam comentários discriminatórios contra mulheres nas redes sociais. A vítima destacou a necessidade de lutar por seus direitos e obter justiça, enfrentando a indignação gerada pelo ocorrido.
O caso de Julie Yukari gerou repercussão e levou a uma denúncia formal junto à polícia. A vítima relatou ter tirado uma foto com sua gata no final do ano e, após o réveillon, acordou com várias solicitações no X para manipulação de suas imagens. O uso não autorizado de sua imagem em situações depreciativas, sem consentimento, feriu sua reputação e seus direitos. Em resposta, Julie registrou o boletim de ocorrência e se mostrou determinada a descobrir a identidade dos responsáveis pelo crime.
No combate aos crimes sexuais digitais, é crucial atentar para o aumento dessas práticas, especialmente no Rio de Janeiro. Um levantamento exclusivo do DE revelou que as mulheres representam 87,8% das vítimas de registros não autorizados de intimidade sexual no estado. Entre 2020 e 2024, houve um crescimento de 300% nesse tipo de crime, sendo que 39,9% dos autores são ex-companheiros das vítimas. A situação exige medidas eficazes para proteger a privacidade e a segurança das mulheres na internet.




