Ser tirado de nós dessa forma é muito triste’, diz viúva de homem morto na
frente da família em festa de ano novo no interior de São Paulo
Israel Felippo, de 44 anos, foi esfaqueado durante comemoração em Guatapará. A Justiça decretou a prisão temporária do suspeito, que está foragido. No dia do crime, ele fez post em tom de ameaça.
Justiça de Guatapará decreta prisão de homem suspeito de matar pintor a facadas
A viúva do pintor Israel Felippo, que morreu esfaqueado na frente da família em uma festa de ano novo em Guatapará (São Paulo), disse nesta segunda-feira (5) que espera que o suspeito seja preso e pague pelo crime.
> “A gente quer justiça, que ele seja preso e fique. Não vai trazer o Rael de volta, mas só o fato de a gente saber que vai ter uma justiça, já consola um pouco. A memória dele vai ficar para sempre em nós. Ele era querido na cidade inteira, não tem um que não amava o Rael. Ele nunca brigou com ninguém. Ser tirado de nós dessa forma é muito triste e revoltante”, diz Daiane Anselmo.
O autor do crime, identificado pela Polícia Civil como João Vitor Moreira Rodrigues, de 20 anos, teve a prisão temporária decretada pela Justiça. Ele é considerado foragido. A advogada alega que ele agiu em legítima defesa.
Israel Felippo, de 44 anos, morreu esfaqueado durante festa de ano novo em Guatapará, SP — Foto: Arquivo pessoal
CRIME DURANTE COMEMORAÇÃO
O crime aconteceu na madrugada de 1º de janeiro, na Praça São Pedro, no Centro. A festa promovida pela prefeitura já tinha acabado, mas muitos moradores permaneciam no local comemorando a chegada de 2026.
A auxiliar de enfermagem Mariana Medeiros Felippo, filha de Israel, diz que ao voltar do banheiro encontrou a mãe e a irmã de 7 anos assustadas porque João Vitor, que é conhecido da família, tinha se aproximado, mostrado uma faca e feito ameaças.
Pintor foi esfaqueado na Praça São Pedro na virada de ano em Guatapará, SP — Foto: Divulgação
Segundo Mariana, elas se preparavam para deixar o local, quando João Vitor surpreendeu o pai dela perto de uma barraca. A auxiliar de enfermagem conta que Israel tentou se defender, mas acabou golpeado.
João Vitor fugiu, e uma irmã, a mãe e uma prima dele se aproximaram e passaram a atacar a vítima. Só depois que elas se afastaram é que Mariana percebeu que o pai estava ferido no peito.
> “A hora que a gente conseguiu separar vimos que ele estava sangrando. A hora que elas avançaram para bater nele, o João já tinha corrido. Elas sabiam. Ele já foi com a faca em punho, não ia dar tempo dele pegar.”
A esposa de Israel pede que as familiares de João Vitor também sejam investigadas.
Mariana e um amigo da família ainda conseguiram levar Israel até o pronto-socorro, mas ele sofreu uma parada cardíaca, foi intubado e não resistiu.
João Vitor Moreira Rodrigues é suspeito de matar pintor na virada do ano em Guatapará, SP — Foto: Redes Sociais
CRIME PREMEDITADO E SUSPEITAS
A filha conta que antes da festa, João Vitor fez uma publicação em tom de ameaça em um perfil nas redes sociais, o que a leva a pensar que o crime foi premeditado.
> “O João estava premeditado, ele já mostrou a faca do crime e falou o que ia fazer, ele avisou o que ele ia fazer. A gente tentou impedir, mas não deu certo.”
Uma das suspeitas da família é que João Vitor tenha agido após ser repreendido por Israel pelo comportamento considerado reprovável que o rapaz tinha com a filha mais nova do pintor, de 7 anos.
> “No dia 20 de dezembro, ele chegou a conversar com o João Vitor. Falou ‘João, eu não quero que você fique beijando na boca da minha filha, eu não quero que você fique colocando ela no seu pescoço, porque ela é uma criança, ela é uma menina. Eu não quero’. Foi isso. O João Vitor não discutiu na hora, foi uma conversa”, diz a viúva.
Recentemente, João Vitor também havia se envolvido em um relacionamento com a ex-mulher de Israel.
Família pede justiça por Israel Felippo, morto na virada do ano em Guatapará, SP — Foto: Sergio Oliveira/EPTV
INVESTIGAÇÃO
Logo após o crime, a polícia localizou o suspeito na casa dele e o conduziu à delegacia. Segundo o delegado responsável pela investigação, Heitor Moreira, João Vitor afirmou que agiu em legítima defesa porque Israel tinha agredido a irmã dele.
“A polícia já ouviu o principal suspeito e ele alega que agiu em legítima defesa dele e da própria irmã, que, segundo ele, teria sido vítima de uma garrafada. Por esse motivo, ele deu uma facada na vítima, para se defender.”
A polícia apura a versão dos envolvidos para estabelecer com clareza a dinâmica dos fatos.
Após ser ouvido, João Vitor foi liberado. Um mandado de prisão temporária foi expedido pela Justiça, mas o suspeito não foi mais localizado.
Daiane Anselmo, viúva do pintor Israel Felippo, esfaqueado no ano novo em Guatapará, SP — Foto: Sergio Oliveira/EPTV
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