O deputado federal José Nelto (União Brasil) não poupou críticas à decisão de Ana Paula Rezende de deixar o MDB para ser vice na chapa de Wilder Morais (PL) ao governo de Goiás. Em entrevista, ele afirmou que o partido foi responsável por sustentar a trajetória política de Iris Rezende e de sua família por décadas.
Nelto relembrou que votou em Iris para governador em cinco eleições e ouviu dele próprio, nos anos 1990, uma frase que considera profética: “Quem começa traindo em política tem voo de pato” . Para o deputado, o rompimento de Ana Paula representa uma “traição” não a Daniel Vilela, mas a todo o MDB, que sempre apoiou o clã.
O parlamentar listou o que chamou de “dívida” do partido com a família: Iris foi eleito governador duas vezes, disputou o cargo mais três, foi senador, ministro e prefeito de Goiânia, sempre com o apoio da legenda. Sua esposa, Iris Araújo, também foi eleita deputada federal por dois mandatos pelo MDB e chegou ao Senado como suplente. “O MDB foi pai, mãe, avô e avó para Iris Rezende e sua família”, resumiu.
José Nelto também destacou a ironia histórica da aliança: Ana Paula agora se junta à chapa de Wilder, cujo partido (PL) representa a “extrema direita que, em 1969, cassou o mandato de Iris Rezende“ . Para ele, se pudesse sair do túmulo, Iris daria uma “bronca” na filha.
Por fim, o deputado minimizou o impacto eleitoral da movimentação, afirmando que Ana Paula “não transfere votos” e que Daniel Vilela, candidato do MDB, deve vencer no primeiro turno. “Ana Paula alinhou-se com a vanguarda do atraso, pois pertence à turma dos que são os primeiros a chegar atrasados”, finalizou.




