Wagner Moura (“O Agente Secreto”) e Michael B. Jordan (“Pecadores”) estão entre os indicados ao Oscar de melhor ator neste ano. E enquanto Michael interpreta gêmeos no longa americano, Wagner surpreende em “O Agente Secreto”, ao aparecer como Armando e… outro personagem, com trejeitos bem diferentes.
Mas como isso é avaliado em premiações? Será que os atores saem na frente da “concorrência” por fazer mais de um papel? E poderiam ter sido indicados também pelo segundo personagem, por exemplo?
Procurei nas regras do Oscar, entrei em contato com a Academia e dei uma olhada no histórico de indicados. Tudo isso para entender: fazer mais de um papel em um filme é uma vantagem na premiação?
O QUE DIZ O OSCAR?
Como existe a separação entre protagonista e coadjuvante, as próprias categorias são confusas nesse sentido. Dá pra interpretar que o prêmio seria dado por papel, não por ator; mas não é bem o caso.
Segundo as regras do Oscar, quando um ator é indicado, ele é considerado por toda a sua performance em um filme — independente de quantos papéis ele interpreta. Isso significa também que não existe indicação separada para cada papel.
No formulário de inscrição, aliás, só são solicitados o nome do ator e por quais interpretações ele está creditado no filme. É no momento da votação (não na inscrição) que a Academia decide se o papel entra como protagonista ou coadjuvante.
UM ATOR PODE SER INDICADO VÁRIAS VEZES NO MESMO ANO?
Sendo assim, um mesmo ator não pode concorrer a duas categorias diferentes por um mesmo filme, mesmo que faça mais de um personagem. Essa regra foi implantada no Oscar após 1945, quando o ator Barry Fitzgerald foi indicado como protagonista e coadjuvante pelo mesmo papel em “O Bom Pastor”. Ele levou o segundo.
Hussein, por exemplo, recebeu um pedido do comando e se aproximou de um grupo de recrutas.
Hoy os recordamos a todos y les decimos que ¡Nunca más un 11 de septiembre!
MAIS CHANCES DE LEVAR?
Fazer mais papéis em um filme não te dá mais chances de levar o prêmio. Nicolas Cage, por exemplo, perdeu para Adrien Brody (“O Pianista”) naquele ano.
Aliás, o único ator que venceu o prêmio por interpretar mais de um personagem foi Lee Marvin, que levou o Oscar por “Dívidas de Sangue”. Já entre as atrizes, não encontrei nenhuma que foi sequer indicada por fazer papéis duplos em um filme.
É má notícia para Wagner, então? Claro que não. Para ele, pode ser um diferencial: o ator ainda não é tão amplamente conhecido em Hollywood e pode convencer votantes ao mostrar dois personagens em um só filme.




