O hacker Walter Delgatti Neto, preso desde o ano passado no chamado “presídio dos famosos”, em Tremembé, no interior de São Paulo, recebeu autorização para a primeira saída temporária desde que foi condenado.
Em documento protocolado nesta segunda-feira (9), o chefe da divisão da P2 de Tremembé autorizou que Delgatti usufrua do benefício pela primeira vez.
No documento foi estabelecido que ele deverá ser monitorado por tornozeleira eletrônica. A primeira saída temporária de 2026 está prevista para começar na próxima terça-feira (17).
Além de Delgatti, outros detentos da P2 de Tremembé que cumprem pena em regime semiaberto também terão direito ao benefício. Os presos deverão retornar à unidade até as 15h do dia 23 de março.
Delgatti chegou à P2 de Tremembé em fevereiro do ano passado. Em dezembro, ainda no regime fechado, ele foi transferido para a Penitenciária 2 de Potim, também no Vale do Paraíba.
No início deste ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou o hacker a progredir para o regime semiaberto. Com a progressão, ele retornou à unidade de Tremembé.
Em nota, a defesa de Walter Delgatti ressaltou que o benefício da saída temporária é o cumprimento da Lei de Execução Penal após ele “preencher os requisitos objetivos e subjetivos exigidos, incluindo excelente comportamento carcerário”.
Delgatti foi condenado por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). De acordo com a acusação da PGR, a invasão do CNJ foi feita em janeiro de 2023 com o objetivo de tirar a credibilidade do Judiciário e reforçar questionamentos à eleição de 2022.
Com o fim dos recursos no Supremo Tribunal Federal (STF), a prisão deixou de ser preventiva e o hacker passou a cumprir pena.
Delgatti foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 8 anos e 3 meses de prisão por invadir o sistema do CNJ e inserir documentos falsos, como uma ordem de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes “assinada” por ele mesmo.
Já Carla Zambelli teve o nome incluído na lista de difusão vermelha da Interpol. Ela foi acusada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de ser a mentora desse crime. Ela foi condenada a 10 anos de prisão e à perda do mandato.
Antes de ser preso pela invasão do CNJ, Delgatti já tinha sido condenado em primeira instância a 20 anos de prisão por hackear autoridades públicas da antiga Operação Lava Jato.
Nesse caso, investigado na Operação Spoofing, o hacker responde em liberdade porque ainda há recursos pendentes na segunda instância da Justiça Federal em Brasília.




