Zé Roberto explica por que perdeu o foco no Real Madrid
O office-boy que via o sonho de ser jogador escorrer pelos dedos encontrou no emprego com carteira assinada uma forma digna de colocar mistura no prato e ajudar a mãe a criar os irmãos. O que Zé Roberto não imaginava é que, poucos anos depois, impulsionado pela insistência materna e pelo próprio talento, estaria no Real Madrid, após brilhar no início da carreira na Portuguesa.
A chance no gigante espanhol, porém, poderia ter sido melhor aproveitada. A testosterona de um jovem recém-casado vivendo no exterior encontrou o vício em videogame e a obsessão por “zerar” um jogo (Crash Bandicoot). Vieram, então, as noites mal dormidas, o descuido quase inacreditável com a forma física e apenas 21 partidas em pouco mais de um ano. Três títulos no currículo e uma despedida precoce do clube que muitos consideram o mais relevante do futebol mundial.
Zé Roberto explica os impactos do vício em videogame
“Foi muito difícil assimilar tudo isso. O videogame me atrapalhou muito porque eu era molecão: 21 anos. Minha esposa também era muito jovem, de 18 para 19. Um dos meus sonhos, além de me tornar jogador e comprar um carro, era ter um PlayStation. E a gente comprou. Recém-casado, eu parecia um galo. Namorava o dia todo e, à noite, ia jogar videogame. Eu perdi toda a minha performance, chegava ao clube para treinar com olheira. Imagina: o cara namora o dia todo e, à noite, perde o sono jogando videogame.
Aquela época foi a única em que eu saí da minha forma física, porque o jogo me gerava muito estresse. Eu queria zerar e não conseguia. Aí me dava fome de madrugada. Eu ia comer biscoito. Eu comia muito biscoito. Eu falava: ‘Me traz um biscoito.’ Eu ia comer um, terminava com a caixinha. Aí vinha lanche, refrigerante… Eu fui ficando acima do peso sem perceber. E estressado por causa do jogo. Isso é algo que tira a concentração e o foco de muitos atletas hoje – conta Zé Roberto.
Retorno aos gramados e trajetória vitoriosa na Europa
A sólida e vitoriosa carreira de Zé Roberto ainda teve decepções e feridas difíceis de serem curadas, como a ausência na lista de convocados para a Copa de 2002 e o vice-campeonato na Copa de 1998, além da precoce eliminação em 2006 com uma das seleções mais badaladas e estreladas da história do Brasil.
No fim, aos 43 anos, Zé Roberto encerrou sua carreira, dando início a uma era de inúmeras conquistas pelo Palmeiras. Admitindo que poderia ter ido além, jogado por mais alguns anos, a gana pelo futebol ficou no passado. A rotina fit e o cuidado com o corpo ficaram, a vontade de jogar futebol se foi como o suor de um dos treinos mostrados diariamente nas suas redes sociais.
Entrevista emocionante e reflexões sobre a carreira
Em quase duas horas de entrevista ao Abre Aspas, na sede da Globo em São Paulo, Zé Roberto foi às lágrimas relembrando os primeiros passos no futebol, detalhando os cuidados com o corpo que mantém até hoje. Ele se diz realizado com o trabalho atual de mentoria para jovens jogadores e como influenciador digital dos seus mais de 3 milhões de seguidores. Ele acha que foi mais disciplinado com o corpo do que o astro português Cristiano Ronaldo.




