AMERICANA (SP) — Pela primeira vez sozinho no palco da Festa do Peão de Americana, Zezé di Camargo estreou o projeto solo “Essência, Rústico” na madrugada desta quinta-feira (4) e transformou a plateia em seu parceiro de dupla. Com uma setlist repleta de clássicos da carreira, o cantor não escondeu a saudade do irmão Luciano e, em tom bem-humorado, passou a “responsabilidade” para o público, que assumiu com entusiasmo os vocais de apoio durante toda a apresentação.

Antes de subir ao palco, Zezé já havia demonstrado intimidade com a história do evento. Em conversa com a imprensa, ele revelou que a dupla com Luciano é a segunda que mais vezes se apresentou na festa ao longo dos anos, perdendo apenas para Chitãozinho e Xororó. “Mas Chitãozinho e Xororó moram aqui, né? Só atravessar a rua”, brincou o cantor, arrancando risadas da plateia. A fala reforçou a conexão do artista com a cidade de SÃO PAULO e sua tradição sertaneja.

Repertório emociona e público canta junto do início ao fim

A abertura do show foi marcada por “No Dia que Eu Saí de Casa”, que já colocou a multidão em sintonia. Em seguida, Zezé passeou por sucessos atemporais como “Do Outro Lado da Cidade”, “Estrada da Vida” e “Pra Não Pensar Em Você”. Nesta última, ele não resistiu a uma brincadeira que virou viral nas redes sociais: antes de cantar, soltou o famoso bordão “P*** que pariu”, gesto que seus fãs já associam à força emocional das letras.

Um dos momentos mais aguardados foi a interpretação de “É o Amor”, canção que o próprio cantor definiu como um divisor de águas em sua vida. “No dia que fiz essa música, eu não estava no estado de espírito normal. Eu estava sendo conduzido por algo maior”, declarou, visivelmente emocionado. Zezé também compartilhou sua fórmula de compor a partir de ditos populares, citando “Pão de Mel” e “Sem Medo Pra Ser Feliz” como exemplos desse processo criativo.

Sucesso recente e trend “Canta Mirosmar” dominam a noite

O repertório também trouxe uma novidade que já ultrapassou 65 milhões de visualizações nas plataformas digitais. “Irmão da Lua, Amigo das Estrelas”, versão solo de um sucesso de 2003, ganhou nova roupagem em 2026 e se tornou a música mais tocada do Brasil, segundo o próprio artista. “Passaram-se os anos e essa música sem mais nem menos começou a aparecer na internet e foi chegando. Chegou o momento”, celebrou Zezé antes de entoar os primeiros versos.

A plateia, atenta às trends, não perdeu a oportunidade de interagir. Com camisas estampando a frase “Canta Mirosmar” – referência ao nome de batismo do cantor –, os fãs provocaram uma reação descontraída. Zezé contou que até sua mãe, dona Helena, já reparou na brincadeira. “Ela falou: ‘Viu como eu tinha razão?’ E eu respondi: ‘Mãe, o povo não tá falando porque acha bonito não, é pra pirraçar’”, disse, aos risos. O artista admitiu que passou anos escondendo o nome, mas hoje abraça o apelido. “Eu vejo ‘Canta, Mirosmar’ na internet, e eu canto”, afirmou, cumprindo a promessa ao finalizar a apresentação com “Sonho de Amor”, “Mexe, Mexe Que É Bom” e “Flores Em Vida”.

O show solo de Zezé di Camargo marcou a abertura da 38ª edição da Festa do Peão de Americana, que segue com programação até os próximos dias. A apresentação reforçou a longeva relação do cantor com o evento, consolidado como um dos maiores palcos do sertanejo nacional.