Zona Franca de Manaus: escassez de terrenos ameaça indústrias

Zona Franca de Manaus: escassez de terrenos ameaça indústrias

A escassez de áreas para novas indústrias na Zona Franca de Manaus está se tornando um problema crítico, impactando diretamente o crescimento do polo industrial. A situação já capta a atenção da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) e dos empresários locais, e a falta de terrenos industrializados pode limitar novos investimentos. Apesar da recente aprovação de incentivos fiscais garantidos até 2073, a concretização de projetos enfrenta um impasse significativo: a falta de espaço destinado à instalação de fábricas.

Este desafio ocorre em um contexto onde a Zona Franca se consolidou como um bastião econômico da região amazônica, promovendo o desenvolvimento através de isenções fiscais e estímulos a empresas. Hoje, cerca de 600 indústrias operam na área, empregando aproximadamente 131 mil trabalhadores. No entanto, as oportunidades de expansão estão sendo restringidas pela inadequação da distribuição de terrenos, que está se mostrando lenta e burocrática.

O presidente da Eletros (Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), Jorge Nascimento Júnior, destacou a urgência do problema em uma reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin. “A falta de terrenos está impedindo a instalação de novas empresas em Manaus, e já prevíamos essa situação”, alertou. Essa apreensão demonstra o risco de estagnação e a necessidade de expandir as áreas disponíveis para investimentos, garantindo assim um fluxo de desenvolvimento sustentável a longo prazo.

Como a falta de terrenos afeta o mercado industrial?

A situação se agrava à medida que os distritos industriais ficam saturados. A burocracia envolvida na liberação de terrenos, através de licitações realizadas apenas a cada dois anos, contribui para a ineficiência. Com a última licitação ocorrendo em 2025 e a próxima prevista para 2027, o descompasso entre a demanda por terrenos e a oferta está se tornando cada vez mais evidente. Empresários apontam que a falta de terrenos viabilizados está fazendo com que várias empresas reconsiderem seus planos de estabelecer operações em Manaus.

Além disso, a Justiça já extinguiu ações que tentavam questionar os benefícios fiscais que atraem indústrias, como a promovida pela Fiesp. Em um cenário onde a indústria precisa se adequar rapidamente a um mercado em evolução, a falta de terrenos regulados pode ser um fator de desestímulo a novos projetos. Os dados de 2025, que apontam um faturamento recorde de R$ 227,6 bilhões, podem estar ameaçados, caso não se encontre uma solução para o problema.

Por que a Suframa não resolve a situação?

A Suframa reconhece que a má distribuição de terrenos e as ocupações irregulares são grandes obstáculos a serem superados. O superintendente Leopoldo Montenegro admite que as invasões dentro dos distritos industriais, especificamente nos distritos 1, 2 e 3, complicam ainda mais o cenário fundiário. “Precisamos adotar um procedimento mais dinâmico e célere para a cessão de lotes, senão perderemos essas áreas”, disse.

A preocupação com a possibilidade de invasões e a favelização crescente na região é um fator que preocupa, especialmente em anos eleitorais, quando essas situações irregularidades podem se agravar. As propostas de mudanças para um sistema mais ágil de doação de terrenos ainda não foram implementadas, limitando a capacidade de resposta da Suframa ao crescente desafio.

O que pode ser feito para resolver a crise?

Diante do impasse atual, o apelo à busca de soluções mais eficazes torna-se urgente. A Eletros destaca que há avanços nas discussões, mas a falta de promessas concretas sobre a ampliação de áreas para novas indústrias permanece. O executivo Nascimento sugere que reformas e ações coordenadas são necessárias para que o ciclo de desenvolvimento da Zona Franca de Manaus não seja interrompido.

Enquanto isso, a Suframa se vê pressionada a criar um ambiente regulatório mais flexível, que promova o crescimento sem os entraves burocráticos que caracterizam o momento atual. Para os investidores, essa situação exige um monitoramento constante. O futuro da Zona Franca e seu potencial de crescimento dependem diretamente da capacidade de enfrentar os desafios estruturais que ameaçam sua competitividade.

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