Os pequenos goianienses acometidos pelo problema no ano passado que necessitam de internação chegaram a 35. Em todo o estado, o total de bebês nessas condições foram de 123. No Centro-Oeste, o estudo identificou 777. O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 2.754 internações de bebês menores de um ano por desnutrição, sequelas da desnutrição e deficiências nutricionais, o que representa sete por dia em todo o país, em média. Dentre estados e capitais, Bahia e Salvador concentraram o maior número de hospitalizações: respectivamente 480 e 159. Por outro lado, Amapá e Cuiabá tiveram menos casos com 9 e 1, respectivamente.
“No cenário atual, embora o sistema registre uma pequena redução no número de internações de bebês menores de 1 ano por desnutrição no país de 2021 para 2022, de 2.946 para 2.754 hospitalizações, podemos considerar que a tendência se mantém – o que é preocupante. Enquanto o Nordeste registrou 1.175 hospitalizações em 2022, o Norte realizou 328 internações pelas mesmas causas no ano passado”, aponta o coordenador do Observa Infância, Cristiano Boccolini.
Desde 2016, o índice de hospitalização por esse motivo nesta faixa etária vem subindo no Brasil. A pior marca ocorreu em 2021, quando houve acréscimo de 51% em relação a 2011. A tendência é diferente da observada no número de mortes e na taxa de mortalidade entre os bebês já que houve redução constante desde 2009.
Internação de bebês com menos de um ano de idade por desnutrição
| Por capital | Por estado | Por Região |
| Salvador (159) | Bahia (480) | Nordeste (1.175) |
| Brasília (65) | Maranhão (280) | Centro-Oeste (777) |
| São Paulo (43) | São Paulo (223) | Sudeste (617) |
| Goiânia (35) | Minas Gerais (205) | Sul (376) |
| São Luís (29) | Pará (182) | Norte (328) |
| Fortaleza (27) | Rio Grande do Sul (159) | |
| Rio de Janeiro (23) | Goiás (123) |
Fonte: Observa Infância, com dados do SIH
Causas diversas
A desnutrição ocorre por questões nutricionais ou metabólicas da mãe, como pressão alta, e ainda problemas na placenta. Isso favorece o nascimento de crianças com baixo peso. É uma situação menos comum atualmente, comparada aos anos 1990. A incidência maior nas últimas décadas tem sido obesidade e deficiência de micronutrientes nem sempre perceptíveis pela exclusiva avaliação de peso”, esclarece o pediatra Ronaldo Moura.
Segundo o especialista, a suspensão do acompanhamento de mães e crianças durante a pandemia também pode ter interferido nas estatísticas. Ele lembra que entre 2020 e 2021 a prioridade de atendimento era urgência e emergência para pessoas com suspeita de covid. Apesar disso, Ronaldo atrela a prática de hábitos saudáveis como um fator decisivo para evitar e tratar o problema nas gestantes e bebês. As consequências são crianças com maior risco de adoecimento, problemas no desenvolvimento neuropsicomotor e no aprendizado, o que no futuro pode afetar a inserção no mercado de trabalho.
“É importante reforçar políticas públicas sobre a importância de as pessoas terem alimentação saudável, com frutas e verduras. Uma das estratégias de incentivo seria a taxação menor desse tipo de alimento em relação aos industrializados e com baixo valor nutricional. Consultas de rotina fazem muita diferença, assim como orientação para as famílias. Um exemplo de como a falta disso interfere na sociedade é a queda acentuada da vacinação infantil”, detalha.



