O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), está fazendo uma curva de 180 graus em uma de suas bandeiras de campanha. Após meses de críticas e promessas de transparência, ele publicou um decreto que facilita a adesão do município a atas de registro de preços. A prática, conhecida como “carona” em licitações de outros entes, foi por ele mesmo chamada de “grande negócio” que movimenta muito dinheiro durante a eleição.
A nova regra, publicada no Diário Oficial do Município na segunda-feira (19), altera um decreto de 2022 e permite que a Prefeitura participe de atas promovidas inclusive por fundações públicas de direito privado. A justificativa é “ampliar o leque de fornecedores qualificados”, principalmente na área da saúde.
A flexibilização ocorre em um momento delicado:
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Pressão fiscal: Mabel recentemente propôs ampliar seus poderes para remanejar o orçamento de 2026 sem autorização da Câmara, reduzindo a margem de manobra de 50% para 30%, mas criando 13 exceções que na prática ampliam sua autonomia.
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Troca no secretariado: O prefeito confirmou que fará mudanças no primeiro escalão nos primeiros meses de 2026, citando como critério a “entrega” e não conveniência política.
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Corte em gastos: A gestão enfrenta o desafio de equilibrar as contas após a aprovação de um decreto de calamidade financeira pela Assembleia Legislativa.
O movimento é especialmente contraditório diante de um caso recente barrado pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO). Em agosto do ano passado, o TCM suspendeu uma adesão da Secretaria de Trânsito a uma ata que apresentava um sobrepreço de R$ 9,7 milhões. Na ocasião, Mabel havia dito que estava “colocando um time para revisar tudo para que não haja adesão em atas que eu não conheço”. Agora, parece estar abrindo a porteira para mais delas.




