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“Após eleição, prefeito deve ouvir população sobre a cidade”, destaca Pedro Wilson

Para o petista, ex-prefeito de Goiânia, uma das coisas mais difíceis na administração é a participação da comunidade

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“O maior desafio de um prefeito e uma das coisas mais difíceis em uma cidade que cresce muito como Goiânia é a participação da comunidade, ver a população se apropriando da cidade”. A declaração é do professor universitário, advogado, sociólogo, ex-deputado federal por dois mandatos e ex-prefeito de Goiânia, Pedro Wilson Guimarães, de 80 anos, do Partido dos Trabalhadores (PT).

Ao Diário do Estado, Pedro Wilson contou o quão desafiador foi, entre 2001 e 2004 chamar a população da Capital a participar de seu mandato. “Só a eleição não basta. O prefeito tem de manter diálogo com a população, com a Câmara Municipal, para saber o que é prioritário”, ensina. Sua primeira missão, lembra, foi convidar universidades, colégios, comerciantes, sindicatos, sociedade organizada, diferentes representações populares e o povo em geral para discutir o orçamento da cidade em reuniões nas diferentes regiões de Goiânia. “Era o orçamento participativo. Nele, cada região falava o que era necessário”.

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Com base nesta premissa, Pedro Wilson levou adiante projetos para uma Goiânia Sustentável, como o Macambira-Anicuns, de gestão do lixo e um plano de arborização e sinalização da cidade. “Deixamos mais de 100 milhões de dólares do Banco Mundial em caixa para terminar o Macambira-Anicuns”. O ex-prefeito lembra que empreendimentos imobiliários na época só eram aprovados com contrapartida para o município. Antes do final da obra tinha de construir um CMEI, uma escola, favorecer a região. “Isso foi deixado de lado”.

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Também não havia, segundo ele, tanta depredação do patrimônio público, principalmente em escolas porque havia um trabalho de conscientização junto à população de que o patrimônio é de todos. “Depredar uma escola é um dano ao patrimônio de todos”. Segundo ele, a população precisa viver a cidade. Tem de estar próxima ao poder público para decidir o futuro de onde se vive e cobrar dos governos municipais, estadual e federal investimentos para garantir isso.

Eleição

Pedro Wilson e Daniel Antônio são os únicos ex-prefeitos de Goiânia vivos. Com a experiência política e de vida que ele tem, desabafa que não esperava que o Brasil chegasse ao ponto de uma ameaça real à democracia. “Estamos vivendo uma situação muito difícil. Falta transparência. Temos inflação e um desenvolvimento zero. Isso dificulta a vida de todos”.

Para ele, a eleição de Lula, pré-candidato à Presidência da República pelo PT, seria muito criticada em outros tempos pela aliança feita com o PSDB de Geraldo Alkmin. “Os tempos são outros. Hoje temos de unir todas as forças com aqueles que buscam o resgate da democracia”.

Para ele, tanto o governo Bolsonaro quanto o de Caiado, em Goiás, utilizaram-se de um artifício que não beneficia nem o país nem o Estado. “Pegaram uma série de programas e mudaram de nome. Não investiram em mais nada. É preciso abrir os olhos para o que está acontecendo”.

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Rosana Melo

Rosana Melo é jornalista, vencedora dos prêmios: Prêmio AMB de Jornalismo da Associação dos Magistrados Brasileiros - Regional Centro Oeste; 13º Prêmio Embratel Regional Centro Oeste; 2º Prêmio MP-GO de Jornalismo; Prêmio OAB-GO de Jornalismo - todos em primeiro lugar e menção honrosa como finalista em dois Prêmios Esso categoria Jornal Impresso.