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Detentas da unidade prisional de Orizona produzem uniformes e têm remição de parte da pena

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Na última semana, 15 detentas da Unidade Prisional Regional Feminina (UPRFEM) de Orizona finalizaram a produção de 104 kits de uniformes. As peças serão usadas pelas mulheres da Unidade Prisional Feminina de Corumbaíba. Desde agosto de 2020, este projeto produz uniformes para outras unidades prisionais, prefeitura e até empresas. Quem costura as roupas tem direito à remição. A cada três dias trabalhados, um a menos de pena.

A princípio, a oficina de costura existia na época em que a unidade prisional de Orizona era masculina. Depois, continuou em agosto do ano passado, quando o local passou a ser exclusivo para mulheres. O Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN) concedeu o maquinário da confecção. O dinheiro para os materiais, como tecidos, veio do Conselho da Comunidade de Corumbaíba.

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O trabalho das detentas

Conforme a diretora da UPREM de Orizona, Alexandra Rezende, explica, a oficina é feita entre as próprias mulheres. Quem sabe costurar ensina as outras. Algumas detentas são remuneradas pelo Estado e o dinheiro vai para suas famílias.

Além da remição de pena, a costura é uma forma de passar o tempo no cárcere. “Quando chega encomenda, elas trabalham todo dia, com folga no domingo. Assim, tem alguma coisa para fazer, o tempo passa”, explica a diretora da Unidade.

“Um trabalho muito bem feito”, conta Silvana Costa, diretora da Unidade Prisional Feminina de Corumbaíba. Segundo ela, encomendar os uniformes ao projeto significa economia de recursos. “Se torna mais acessível. Se fossemos arcar com despesas da confecção, ficaria bem pesado”, explica.

Ressocialização

Atualmente, em todo o estado de Goiás, 1.028 mulheres estão presas. Em Corumbaíba, são 45. Na unidade de Orizona, 65, sendo que 55 trabalham no local. São atividades de artesanato, manutenção do presídio: capinar o pátio, limpar, retirar o lixo, lavar as viaturas policiais, por exemplo. Elas ainda atuam na estação de esgoto que trata os resíduos da unidade. Além do trabalho, tem remição de pena pela leitura de livros e produção de resenhas. Cada livro lido, quatro dias a menos de pena. Há ainda aulas de Educação de Adolescentes, Jovens e Adultos (EAJA).

Além disso, no projeto de produção dos uniformes, Alexandra conta que aprender a costurar pode ajudar as mulheres a ter uma profissão no futuro.

“A cadeia não é só para punir. Tem que ressocializar. Se esta pessoa sai da cadeia e não tem oportunidade, não vai ressocializar porque não tem condições de se manter. Precisa de oportunidade e a oportunidade maior é o emprego”, defende a diretora da (UPRFEM) de Orizona.

No entanto, para a Diretora da Unidade de Corumbaíba, existe preconceito que dificulta este processo. “Em momentos que a gente vai buscar parceria e até doações, quando fala que é para o presídio, muitos falam ‘ah, não vou doar não’. Às vezes, a gente fala ‘ah, o detento não quer mudar. Sai e volta para a prisão’, mas a gente entende que lá fora a visão é outra. Olham e julgam apenas pelo lado ruim”, comenta.