// Edredom e Pipoca

Qual é o diferencial de Round 6, a nova queridinha dos fãs?

Em
Round 6 Netflix Foto Divulgação

Em 17 de setembro, a Netflix lançou a série “Round 6”, que em sua tradução literal do título original seria “Jogo da Lula”. Menos de um mês após ser lançada, a obra lidera a audiência em 90 países diferentes, de acordo com informações da Vulture, sendo a primeira produção da Netflix a alcançar tal posto. Com tanto engajamento alcançado ao redor do globo, incluindo no Brasil, quais são os principais motivos que tornaram essa série tão célebre?

Em primeiro lugar, precisamos entender sobre o que se trata. A história é sobre um jogo que reúne pessoas endividadas e desesperadas por dinheiro, as quais são obrigadas a concluir alguns desafios para conseguirem um montante final de mais de 45 bilhões de wones, o que daria um equivalente atual de R$ 215 milhões. A questão é que cada etapa do processo, consistindo em jogos infantis da Coreia do Sul, reserva um índice de mortalidade gigantesco. De forma literal, ou você passa de fase, ou você morre; não há meio-termo.

A quebra de barreiras no idioma

Nos últimos anos, uma tendência está ficando cada vez mais clara no cinema e na televisão. O mercado estadunidense, que sempre dominou grande parte da cultura ocidental, divide espaço agora com produções de todo o planeta. Na própria Netflix, temos vários exemplos disso: “Dark”, da Alemanha; “La Casa de Papel”, da Espanha; “Lupin”, da França”; e a própria “3%”, do Brasil. Isso ficou ainda mais evidente no Oscar de 2020, quando o longa sul-coreano “Parasita” faturou três estatuetas, incluindo de Melhor Diretor para Bong Joon-ho e Melhor Filme, alcançando um feito histórico na Academia.

Agora, é a vez de “Round 6” quebrar barreiras de idioma na televisão. Se antes algumas pessoas poderiam relutar em assistir produções sem ser na língua inglesa, o cenário está mudando rapidamente. A resistência a legendas ainda é grande – nos Estados Unidos, por exemplo, 59% da população prefere obras estrangeiras dubladas em inglês, segundo pesquisa da Statista – mas o acesso a novas culturas vive um momento de crescente e o estranhamento com línguas asiáticas, entre outras, começa a ser normalizado.

A subversão do gênero

O conceito de reunir pessoas em um jogo, na busca por um objetivo final envolvendo a promessa de uma vida melhor, não é um conceito exatamente novo. Distopias como “Jogos Vorazes” e “Divergente” seguem um pouco desse propósito, apesar de suas motivações terem peculiaridades sociais bem diferentes de “Round 6”.

Nesta série sul-coreana, os jogadores não são obrigados a participar dos desafios como uma etapa mandatória do sistema social vigente. De certa forma, eles escolheram estar ali, apesar de não conhecerem a fundo as consequências. Essa característica dá um panorama mais cru do ser humano, fazendo com que a ganância e a desigualdade capitalista sejam temas intrínsecos à trama.

Além disso, o roteiro toma rumos que não são costumeiros em outras produções do gênero. Isso faz com que a série se torne imprevisível, e, em seu âmago, transformada em algo essencialmente único.

Personagens com diferentes filosofias

Cada jogador está lá por um motivo específico, embora todos compartilhem de uma mesma finalidade. Alguns se endividaram e precisam de dinheiro para continuar vivos. Outros estão em busca de aventura, enquanto há personagens dispostos a desmantelar aquele sistema por dentro. Essas diferenças de perspectiva dão um charme a mais em “Round 6”, fazendo com que nos identifiquemos com determinados pedaços não apenas do protagonista, mas também dos demais coadjuvantes.

Uma experiência que vale a pena

“Round 6” não figura no topo das paradas à toa. De acordo com Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, a obra está prestes a se tornar a série mais popular da história da plataforma, desbancando títulos como “Stranger Things” e “Bridgerton”. Não é pouca coisa, e mostra que a abertura de fronteiras no mercado de entretenimento é uma tendência que veio para ficar.