MPE investiga prefeito e vice eleitos de Cachoeira Alta por compra de votos

Investigações apontam que a prática dos candidatos alterou "substancialmente o resultado das eleições"

O Ministério Público Eleitoral (MPE) propôs uma investigação contra Rodrigo Miranda Mendonça e Eduardo Correa de Almeida, respectivamente prefeito e vice-prefeito eleitos em Cachoeira Alta. O coordenador de campanha, Valteir Dantas, também é investigado. A ação do MPE apura a compra de votos durante as eleições deste ano.

Todo o esquema foi descoberto após deflagração de uma operação, que contou com apoio da Polícia Civil, às vésperas das eleições, sendo constatada a prática dos ilícitos eleitorais envolvendo a distribuição de combustível em quantidade superior à permitida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na ocasião, o promotor eleitoral Fabrício Lamas Borges da Silva coletou em um posto de gasolina uma grande quantidade de material que instrui o processo, como imagens de câmeras de segurança, requisições, anotações físicas e digitais, notas e cupons.

Nas mais de 170 páginas da ação, o promotor eleitoral detalha como agiram os então candidatos e o coordenador de campanha. “São centenas de provas robustas, incontestes e cabais do abuso do poder econômico, de forma reiterada, excessiva e inequívoca da troca por apoio e voto, com uso de caixa 2, em benefício dos candidatos”, afirma Lamas.

Para o MP Eleitoral, ficou demonstrado que a Coligação de Mãos Dadas com o Povo, de Rodrigo e Eduardo, vencedora do pleito, usou esquema de caixa 2, em nome de um dos coordenadores informais da campanha, Valteir, no Posto Vital, com distribuição desenfreada, ilegal e indiscriminada de combustível por pelo menos 812 vezes, em troca do apoio e voto de eleitores.

As investigações apontam que o abuso de poder impediu que os demais candidatos pudessem competir com igualdade no pleito eleitoral, alterando substancialmente o resultado das eleições. Com a ação do MPE, os mandatos de Rodrigo Miranda Mendonça e Eduardo Correa de Almeida podem ser cassados.

Eles podem, ainda, ser declarados inelegíveis por oito anos, assim como Valteir, além da aplicação, aos três, de multa. Caso isso ocorra, uma nova eleição deve ser realizada na cidade.

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