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Casa cai para pastores de Goiânia que cobravam propina em troca de obras do MEC

Em um dos casos, líderes da Assembleia de Deus queriam que prefeito comprasse mil Bíblias. Publicação tinha foto do ministro também preso

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Apesar da investigação correr sob sigilo, uma determinação da 15ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Distrito Federal, foram cumpridas em Goiás as prisões dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos, dentro da operação da Polícia Federal (PF) que apura suspeitas de desvios em recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), que teriam sido praticados durante a gestão do ministro – e também pastor – Milton Ribeiro.

Os desvios em recursos do FNDE foram alvo de inspeção do Tribunal de Contas da União em abril, após divulgação de áudio em que o ministro Milton Ribeiro diz favorecer prefeituras de municípios ligados aos dois pastores de Goiás que atuavam como intermediários junto às prefeituras para a liberação de recursos, em troca de pagamento de propina.

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Ao Diário do Estado, o prefeito Kelton Pinheiro (Cidadania), da cidade de Bonfinópolis, que fica a 37 quilômetros de Goiânia, de apenas 10 mil habitantes, contou que o pastor Arilton Moura, assessor de Assuntos Políticos da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil, havia pedido propina de R$ 15 mil em almoço que aconteceu após uma audiência no Ministério da Educação, em Brasília, dia 11 de março.

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O pastor teria pedido a transferência imediata do dinhiero para a conta corrente dele para a liberação de recursos para a construção de uma escola no município. Como o prefeito disse que não pagaria por recurso público, o outro pastor, Gilmar Santos, presidente da Convenção e pastor da Assembleia de Deus Cristo para Todos, no Jardim América, em Goiânia, disse que o pagamento poderia ser feito parceladamente.

Proposta semelhante foi feito a outros prefeitos presentes na reunião que foram levados pelos pastores para almoçar no Restaurante Tia Zélia, em Brasília. ´eo que confirmou o prefeito de Boa esperança do Sul (SP) José Manuel de Souza e Gilberto Braga (PSDB), prefeito de Luís Domingues. Para este último, o pastor pediu um quilo de ouro para a liberação de recursos federais para a construção de escolas e creches nos municípios.

O DE tentou contato com a Igreja Assembleia de Deus Cristo para Todos, no Jardim América, e por telefone, contato com familiares dos pastores, mas, ninguém atendeu ou respondeu aos questionamentos feitos pelo aplicativo WhatsApp.

Em nota, a Polícia Federal (PF) informou que, em caso de condenação, os suspeitos podem pegar de dois a cinco anos de reclusão pelo crime de tráfico de influência; de dois a 12 anos de reclusão por crime de corrupção passiva; de 3 meses a um ano de detenção por prevaricação e de de um a três meses por exercer advocacia administrativa, sendo os dois últimos crimes atribuídos ao então ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro. A investigação é coordenada pela PF do Distrito Federal, para onde os presos foram encaminhados.

Reforma da igreja

Em um vídeo da Internet relacionado ao culto realizado na terça-feira, 21, o pastor Gilmar Santos aparece pedindo aos fiéis que contribuíssem com duas parcelas de R$ 250 ou de R$ 500 para ajudar a igreja com a reforma da fachada do templo da Assembleia de Deus Ministério Cristo para Todos, em Goiânia.

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Rosana Melo

Rosana Melo é jornalista, vencedora dos prêmios: Prêmio AMB de Jornalismo da Associação dos Magistrados Brasileiros - Regional Centro Oeste; 13º Prêmio Embratel Regional Centro Oeste; 2º Prêmio MP-GO de Jornalismo; Prêmio OAB-GO de Jornalismo - todos em primeiro lugar e menção honrosa como finalista em dois Prêmios Esso categoria Jornal Impresso.